Atualizado 07/07/2025
Matriz RACI: O que é e como aplicar? Confira este guia
A Matriz RACI é uma excelente ferramenta para a gestão de um projeto ou trabalho. Confira o guia completo que fizemos com alguns exemplos!

12 minutos de leitura
Projetos com prazos estourados, tarefas mal distribuídas e decisões sem dono são comuns, especialmente em times digitais.
A Matriz RACI é uma ferramenta simples que resolve isso: define quem faz, quem aprova, quem contribui e quem precisa ser informado em cada etapa.
Nesse texto você vai entender o que é a RACI, por que ela importa e como aplicar no seu dia a dia, mesmo que esteja começando agora na área.
Aqui você vai encontrar:
O que é a Matriz RACI?
Significado de cada letra: R, A, C e I
Casos reais: onde a RACI salva o projeto
Como montar sua primeira Matriz RACI na prática
Dicas para aplicar a RACI com seu time
Adapte a RACI à sua realidade: quando, como e por quê
Conclusão
O que é a Matriz RACI?
A Matriz RACI é uma ferramenta simples que traz clareza sobre quem executa, quem aprova, quem precisa ser consultado e quem deve ser informado em cada etapa do trabalho. Mais do que uma tabela, ela é uma forma de alinhar pessoas e expectativas.
Por que isso é tão relevante no trabalho digital?
No ambiente digital, onde os papéis mudam, as equipes são multifuncionais e as entregas se sobrepõem, esse tipo de alinhamento é essencial. A RACI não engessa: ela cria liberdade com responsabilidade.
Com ela, o time sabe:
Quem está “com a bola” em cada tarefa;
Quem dá o “ok” para seguir;
Quem precisa ser consultado antes de decidir;
Quem deve ser mantido no loop, sem sobrecarga.
Para quem está começando na carreira ou mudando de área, a RACI é também um mapa: ajuda a entender o jogo e a encontrar seu lugar nele.
No fim das contas, trata-se de um princípio simples: mais clareza, menos ruído. E isso muda tudo.
Significado de cada letra: R, A, C e I

A força da Matriz RACI está justamente na sua simplicidade. Cada letra representa um papel claro dentro de uma tarefa ou entrega. E quando esses papéis são definidos com precisão, tudo flui melhor, do alinhamento inicial à conclusão do projeto. Vamos entender o que significa cada uma delas:
R – Responsável (Responsible)
Quem executa a tarefa. Coloca a mão na massa e faz acontecer.
Dica: idealmente, apenas uma pessoa por tarefa. Divida atividades, não responsabilidades.
Exemplo: uma pesquisadora UX que conduz entrevistas com usuários.
A – Aprovador (Accountable)
Quem dá o “ok” final. Valida se a entrega atende ao que era esperado.
Deve ser único por tarefa. Se delegar, o novo nome precisa estar na matriz.
Exemplo: o PM que aprova uma funcionalidade antes do lançamento.
C – Consultado (Consulted)
Quem deve ser consultado ativamente antes ou durante a tarefa. Comunicação de duas vias.
Combine prazos: se a resposta atrasa, a entrega também pode atrasar.
Exemplo: analista consulta o time de marketing antes de montar um dashboard.
I – Informado (Informed)
Quem precisa ser mantido atualizado, mas não decide nem executa. Comunicação de uma via.
Importante deixar claro: o processo não para esperando resposta dessas pessoas.
Exemplo: atendimento informado após a publicação de novo fluxo de onboarding.
Um lembrete final: clareza ≠ rigidez
A RACI não deve virar um esquema inflexível. Times digitais mudam rápido (e os papéis também). O objetivo da matriz é gerar clareza e autonomia, não burocracia. E quando usada com inteligência, ela ajuda times a trabalharem com mais confiança e menos estresse.
Casos reais: onde a RACI salva o projeto (e onde a falta dela afunda tudo)
Quem já participou de um projeto sem clareza de papéis sabe como pequenos mal-entendidos viram grandes atrasos. A RACI evita esse tipo de desgaste e, mais importante, promove um ambiente onde cada pessoa entende seu papel e pode contribuir com mais segurança.
Vamos olhar para dois exemplos práticos de como a Matriz RACI pode fazer diferença em projetos comuns no mundo digital.
Caso 1: Desenvolvimento de um MVP em uma startup
O desafio: Uma startup está lançando seu primeiro produto. A equipe é pequena, e todo mundo faz um pouco de tudo. O time decide lançar um MVP em 30 dias, mas ninguém sabe quem decide o escopo final, quem valida o design, nem quem fala com os usuários.
Sem RACI: O produto atrasa. O time de dev começa a codar antes de receber os dados corretos. O design muda três vezes. A pessoa de marketing anuncia uma funcionalidade que nem será incluída no MVP.
Com RACI:
Responsável: Devs que constroem o MVP.
Aprovador: Product Manager, que decide o escopo final.
Consultados: Usuários-alvo, time de UX e marketing.
Informados: Investidores e advisors.
Resultado? As entregas seguem com mais fluidez, as decisões têm dono, e o time consegue lançar dentro do prazo com alinhamento.
Caso 2: Pesquisa de UX para melhoria de jornada
O desafio: Um time de UX precisa realizar entrevistas com usuários para entender gargalos na jornada digital de um produto. Mas ninguém sabe quem agenda as entrevistas, quem valida o roteiro ou se o time de produto precisa aprovar a análise antes de seguir.
Sem RACI: A pesquisa atrasa, o time entrevista os usuários errados, e as descobertas ficam paradas à espera de uma aprovação que ninguém sabe de quem é.
Com RACI:
Responsável: Pessoa de UX pesquisador(a), que conduz as entrevistas.
Aprovador: Líder de UX ou de Produto, que valida o roteiro e os insights.
Consultados: Suporte ao cliente, para insights prévios; time de dados, para cruzar informações.
Informados: Stakeholders de produto e tecnologia.
Com papéis claros, o time acelera a entrega, gera insights acionáveis e reforça a cultura de decisão baseada em dados.

Mesmo para quem está começando, entender e propor esse tipo de ferramenta é um diferencial enorme. Mostra maturidade, organização e capacidade de liderança, mesmo sem cargo de liderança.
Como montar sua primeira Matriz RACI na prática
Você não precisa ser gerente de projetos ou usar softwares complexos para aplicar a Matriz RACI. Com um simples quadro (pode ser no Google Sheets, Miro, Notion ou até no papel), é possível estruturar papéis com clareza e dar um passo importante rumo a entregas mais eficientes e colaborativas.
Aqui está um passo a passo prático para montar sua primeira matriz:
1. Liste as principais tarefas ou entregas do projeto
Comece identificando as atividades-chave que precisam acontecer. Evite ser genérico demais (ex: “executar projeto”) e também não se perca nos detalhes (ex: “abrir o e-mail do João”). Pense no nível certo de granularidade para seu contexto.
Exemplo:
Definir escopo do MVP
Criar protótipo de alta fidelidade
Realizar testes com usuários
Analisar resultados e priorizar ajustes
Implementar versão final
2. Identifique as pessoas envolvidas
Liste as pessoas (ou funções) que estão envolvidas no projeto. Não precisa ser apenas a equipe direta, pense também em quem precisa aprovar, ser consultado ou informado.
Dica: Se for um time enxuto ou multifuncional, nomear os papéis pode ajudar mais do que os nomes. Ex: “UX Designer” em vez de “Maria”.
3. Atribua os papéis R, A, C e I

Agora vem a parte central: definir o papel de cada pessoa em cada tarefa. Para isso, pense nas perguntas:
Quem é a pessoa que vai executar essa tarefa? (Responsável)
Quem tem a autoridade final para aprovar a entrega? (Aprovador)
Quem precisa ser consultado antes ou durante a execução? (Consultado)
Quem precisa ser informado sobre o andamento ou a conclusão? (Informado)
Boas práticas:
Só uma pessoa como Responsável e uma como Aprovador por tarefa.
Pode haver vários Consultados e Informados, mas só se fizer sentido.
Evite preencher todas as células da matriz com algo só para “preencher”. Menos é mais.
4. Valide com o time
Não monte a matriz sozinho(a) e simplesmente “jogue” para o time. Sempre que possível, construa ou revise com as pessoas envolvidas. Isso ajuda a gerar consenso, engajamento e entendimento real das responsabilidades.
Se você está em início de carreira, propor esse momento colaborativo é uma ótima forma de mostrar proatividade e visão de organização.
5. Compartilhe e mantenha acessível
De nada adianta montar uma matriz RACI linda e esquecê-la em uma pasta perdida. Garanta que todos saibam onde ela está e possam consultá-la sempre que necessário. Isso evita mal-entendidos ao longo do caminho.
Exemplo prático e visual (resumido)
Tarefa | UX Designer | PM | Dev Frontend | Stakeholders |
|---|---|---|---|---|
Definir escopo do MVP | C | A/R | I | I |
Criar protótipo | R | A | I | I |
Testar com usuários | R | C | I | I |
Aprovar versão final do layout | C | A | I | I |
Esse é apenas um exemplo simplificado. A estrutura pode variar conforme o time, o projeto e o nível de detalhamento necessário.
Criar sua primeira RACI é mais sobre clareza e alinhamento do que formalidade. Com o tempo, ela pode (e deve) ser ajustada. Mas desde a primeira versão, já vai te ajudar a reduzir ruídos, fortalecer a comunicação e mostrar que você está jogando o jogo do trabalho digital de forma madura.
Dicas para aplicar a RACI com seu time (mesmo se você não for gestor)
Um dos maiores mitos sobre ferramentas de gestão é que elas são exclusivas para quem tem cargo de liderança. A realidade é bem diferente: quem entende o que está em jogo em um projeto e propõe mais clareza, está liderando na prática, mesmo sem um título formal.
Por isso, se você está em início de carreira ou migrando para a área digital, saiba que aplicar a Matriz RACI pode ser uma excelente forma de demonstrar maturidade, organização e visão de equipe.
Aqui vão algumas dicas para fazer isso de forma leve, colaborativa e eficaz:
1. Apresente a RACI como um convite, não como uma imposição
Você pode dizer algo como:
“Percebi que a gente está com algumas dúvidas sobre quem está responsável por cada parte dessa entrega. Posso montar uma matriz simples de papéis para facilitar nosso alinhamento?”
A proposta aqui não é “organizar o time” de cima para baixo, mas ajudar a organizar o fluxo com todo mundo envolvido.
2. Envolva o time na construção
Chamar as pessoas para co-construir a matriz ajuda a:
Evitar ruídos ou resistências,
Criar senso de pertencimento,
Levantar pontos que você talvez não enxergue sozinho(a).
Você pode abrir um board colaborativo, um arquivo compartilhado ou mesmo fazer isso em uma conversa síncrona com o time.
3. Adapte a ferramenta à realidade do seu projeto
A Matriz RACI não precisa seguir um formato engessado. Você pode:
Acrescentar colunas como prazo, status, ou observações;
Incluir uma coluna de apoio (para quem colabora na execução sem ser o R);
Criar versões menores por etapa ou por time, se o projeto for grande.
O mais importante é que a ferramenta seja útil e faça sentido para o seu contexto.
4. Combine expectativas sobre prazos e comunicação
Se alguém for Consultado, é importante alinhar:
Até quando o feedback precisa chegar?
A tarefa pode seguir sem essa resposta?
A pessoa sabe que será consultada?
Se for Informado:
Quando e como essa pessoa será atualizada?
Ela espera participar da decisão? Ou só receber o desfecho?
Esses pequenos alinhamentos evitam frustração e retrabalho e fazem a diferença entre um projeto fluido e um travado.
5. Use a RACI como uma aliada, não um controle
A RACI não é uma planilha de cobrança, e sim um mapa de colaboração. Ela serve para dar clareza, distribuir responsabilidades e facilitar o trabalho em equipe. Use-a como um recurso de transparência e apoio mútuo, não como ferramenta de microgestão.
6. Comece pequeno, mas comece
Se a equipe ou o projeto for pequeno, ou se for a sua primeira experiência com a matriz, aplique em um único processo ou entrega específica. Com o tempo, você pode expandir. O importante é mostrar o valor da ferramenta na prática.
A verdade é que não importa seu cargo atual: propor e aplicar uma ferramenta como a RACI mostra que você entende o valor do trabalho colaborativo e está comprometido com entregas melhores. E, no mercado digital, isso é uma qualidade cada vez mais valorizada.
Adapte a RACI à sua realidade: quando, como e por quê
A beleza da RACI está justamente na sua flexibilidade. Ela não foi feita para engessar o trabalho, e sim para dar clareza, do jeito que fizer mais sentido para você e seu time.

Veja quando e como adaptá-la de forma estratégica:
Quando usar?
Quando há muitas pessoas envolvidas em uma tarefa ou entrega;
Quando o time está em formação ou com papéis sobrepostos;
Quando começam a surgir ruídos como: “Mas não era você que ia fazer isso?”;
Sempre que a entrega impacta outras áreas ou stakeholders externos.
Como adaptar?
Times pequenos? Foque só nos papéis R e A.
Projetos longos? Divida a RACI por fase ou sprint.
Contexto ágil? Use RACI junto com dailies e boards visuais, como Kanban.
Equipe colaborativa? Adicione uma coluna “Apoiador”, sem comprometer o foco.
Por que adaptar?
Porque contextos mudam, equipes mudam, prioridades mudam. A matriz deve acompanhar essa dinâmica. Mais do que seguir uma fórmula, o objetivo é manter o time alinhado, com comunicação fluindo e decisões claras.
A RACI bem adaptada é leve, útil e eficaz. E isso faz toda a diferença na prática.
Conclusão
Em times digitais, onde tudo muda rápido e o trabalho é colaborativo, a clareza não é um luxo: é uma necessidade. A Matriz RACI ajuda a criar essa clareza com uma estrutura simples e poderosa.
Ela evita mal-entendidos, fortalece a comunicação e empodera cada pessoa a contribuir com mais segurança e foco. E o melhor: qualquer pessoa pode aplicar, mesmo sem ser líder formal.
Seja em um projeto pequeno ou numa entrega mais complexa, usar a RACI é um passo real em direção a um jeito de trabalhar mais maduro, transparente e eficiente.
No fim das contas, é sobre isso: menos confusão, mais conexão.

AUTOR
Redação Tera
O time de Redação da Tera traduz conhecimento em conteúdos claros, práticos e profundos, conectando aprendizado real, mercado, tecnologia e carreira em cada publicação.





