Google I/O 2026: o que muda com a era agêntica do Gemini

No Google I/O 2026, o Google declarou o início da era agêntica: Gemini Spark, agentes na Busca e Antigravity 2.0. O que muda e o que fazer agora.

6 minutos de leitura

Google I/O 2026

No Google I/O 2026, Sundar Pichai não apresentou uma lista de features. Ele declarou uma virada de paradigma: os modelos Gemini pararam de responder perguntas e passaram a executar tarefas por conta própria. O Google chamou isso de era agêntica, e os produtos anunciados mostram o que isso significa na prática.

O que o Google I/O 2026 revelou

Os números do evento definem a dimensão da mudança.

Os modelos do Google processaram 3,2 quatrilhões de tokens por mês em 2026, sete vezes mais que em 2025, que por sua vez havia sido 49x maior que 2024. O AI Mode na Busca chegou a 1 bilhão de usuários ativos mensais em um ano de existência. O app Gemini foi de 400 milhões de usuários para 900 milhões no mesmo período, com o número de comandos diários crescendo sete vezes.

Eles revelam a escala da base sobre a qual os agentes agora operam.

Os cinco produtos que mudaram, e para quem

Gemini Spark: o agente que trabalha enquanto você dorme

O Gemini Spark é o produto mais importante do I/O 2026 para quem constrói com IA. Não é um chatbot mais rápido: é um agente pessoal que roda 24 horas por dia em máquinas virtuais dedicadas no Google Cloud, integrado ao Gmail e ao Chrome, capaz de gerenciar tarefas de longo prazo em segundo plano sem que você precise estar presente.

Você interage com o Spark no app Gemini ou por e-mail. No Android, o progresso aparece em tempo real via Android Halo, uma nova interface sutil no topo da tela. A versão Beta chega na semana seguinte ao I/O para assinantes Google AI Ultra nos EUA; a integração com ferramentas de terceiros via MCP está prevista para as semanas seguintes.

Project Mariner: agente de navegação paralela

O Project Mariner é o agente do Google baseado em navegador. Dado um objetivo, como encontrar o fornecedor mais barato de um componente ou reservar passagens dentro de um orçamento, ele navega a web, interage com elementos de página e conclui a tarefa. A versão apresentada no I/O 2026 escala para até 10 tarefas simultâneas em paralelo.

Para profissionais de pesquisa, compras ou qualquer função que envolva navegação repetitiva, o Mariner elimina o trabalho manual de execução.

AI Mode em Search: a maior atualização em 25 anos

O AI Mode na Busca transformou o que era uma caixa de consulta em uma conversa contínua com acesso a contexto pessoal: Gmail, Google Photos e, em breve, Calendar. A Busca deixou de ser um ponto de entrada e virou um hub agêntico: encontra, sintetiza e age.

A nova camada de interface generativa, construída sobre o Gemini 3.5 Flash e o Antigravity, cria layouts dinâmicos e painéis persistentes para tarefas de longo prazo. Chega para todos sem custo adicional em meados de 2026.

Universal Cart: compra autônoma como novo padrão

O Universal Cart permite adicionar itens enquanto você navega na Busca, conversa com o Gemini, assiste ao YouTube ou lê o Gmail. O carrinho trabalha em segundo plano: monitora preços, rastreia histórico, alerta sobre restock. A integração com Search e o app Gemini chega no verão de 2026.

Para quem vende online: a presença no Google Commerce vai depender cada vez mais de estrutura de dados que agentes consigam ler, comparar e recomendar sem intervenção humana no processo.

Pós Graduação

Gemini 3.5 Flash: o motor da era agêntica

O Gemini 3.5 Flash supera o Gemini 3.1 Pro em praticamente todos os benchmarks, responde 4x mais rápido que outros modelos do mesmo nível de capacidade e custa menos da metade. Sundar Pichai deu um exemplo direto no palco: empresas que processam 1 trilhão de tokens por dia economizam mais de US$ 1 bilhão por ano migrando 80% da carga para o Flash 3.5.

Dentro do Antigravity 2.0, a versão otimizada do Flash chega a 12x a velocidade de modelos equivalentes. O modelo já está disponível via Gemini API, Google AI Studio e Android Studio. Para quem acompanhou o lançamento do Gemini 3, o salto para o 3.5 Flash é considerável, especialmente em programação agêntica e tarefas de longo prazo.

O que é a era agêntica na prática

A distinção técnica que o Google adota define bem o conceito: agentes vão além de conversas de turno único. Eles mantêm memória entre sessões, executam tarefas sem prompting constante, retomam de onde pararam e consultam sistemas externos de forma autônoma.

O que muda no trabalho: a pergunta deixa de ser "o que posso pedir para a IA fazer?" e passa a ser "quais etapas desse fluxo precisam de uma decisão humana?". É uma mudança de postura no design de processos, e começa agora.

MCP (Model Context Protocol), adotado nativamente pelo Gemini Spark e pelo Antigravity 2.0, é a infraestrutura que viabiliza a integração entre agentes e ferramentas de terceiros. Qualquer sistema com conector MCP passa a ser acessível por agentes Gemini.

O que fazer agora

Teste o Gemini 3.5 Flash nos seus projetos: Se você usa modelos de alto custo para tarefas de alto volume, a migração para o Flash provavelmente reduz custo sem comprometer qualidade. Comece pelos casos em que latência é o gargalo principal.

Mapeie o que pode ser delegado a um agente: A era agêntica muda a pergunta central do design de produto e de processo. Redesenhe os fluxos a partir das etapas que só um humano precisa executar; o restante vira candidato à automação agêntica.

Explore o Antigravity 2.0: O suporte nativo ao MCP significa que qualquer ferramenta com conector pode ser integrada a agentes Gemini. Se você já trabalha com automações, os fundamentos de como criar seu primeiro agente de IA se aplicam diretamente aqui.

Próximo passo

A era agêntica chegou. Entender o que o Google anunciou no I/O 2026 é o começo, mas a separação entre quem vai usar bem esses recursos e quem vai acompanhar de longe acontece na prática, na hora de construir.

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AUTOR

Micaela Sousa

Publicitária apaixonada por transformar ideias em conteúdos que conectam de verdade. Gosto de contar boas histórias, simplificar o que parece complexo e criar conteúdos que as pessoas realmente querem consumir e compartilhar.

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