Adoção de IA nas empresas: o que Leandro Herrera e Cesar Gon debateram no Share Conference
Adoção de IA nas empresas: o que Leandro Herrera (Tera) e Cesar Gon (CI&T) debateram no Share Conference sobre liderança, RH e o gap de maturidade.

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A adoção de IA nas empresas vive um paradoxo: a tecnologia avança em ritmo espantoso, mas o valor gerado dentro das organizações ainda é pequeno. Foi exatamente esse descompasso que Leandro Herrera, fundador da Tera, e Cesar Gon, fundador e CEO da CI&T, discutiram no Share Conference, no painel "Quanto mais máquina, mais humano". A conversa deixou uma tese clara: o gargalo da adoção de IA nas empresas é humano, muito antes de ser tecnológico. E resolvê-lo passa por liderança e RH.
Neste artigo reunimos os melhores momentos do debate, com as falas dos dois líderes, os dados que sustentam o argumento e o que isso significa para quem precisa acelerar a IA na própria organização. É um recado direto para líderes e para o RH: a hora de agir é agora, e ela exige menos deslumbre com a ferramenta e mais transformação na forma de trabalhar.
O painel "Quanto mais máquina, mais humano"
O tema do Share Conference foi liderar em meio a paradoxos, e não há relação mais paradoxal hoje do que a nossa com a inteligência artificial. Herrera e Gon abriram a conversa mapeando onde a tecnologia realmente está, para separar o ruído do que importa para o negócio.
Cesar Gon fez questão de tirar o debate do lugar-comum do "chatbot que alucina". Para ele, o que vem pela frente é de outra ordem: "Estamos diante de algo que um Prêmio Nobel chamou de dez vezes mais transformador que a Revolução Industrial, em um décimo do tempo." A mensagem foi um convite a projetar as decisões de negócio para o que está chegando, não para o que já passou.
Por que a adoção de IA nas empresas ainda trava
Se a tecnologia é tão poderosa, por que a adoção de IA nas empresas patina? Os dados do próprio debate ajudam a responder.

Herrera trouxe números de um benchmark de adoção conduzido pela Tera: "Só 6% das empresas descrevem maturidade no uso de agentes, e de 60% a 70% dos colaboradores ainda estão no nível inicial de adoção." O cenário se repete em outras pesquisas de mercado, que apontam alta intenção de investir em IA e baixa maturidade real na aplicação.
O gargalo é humano, não tecnológico
Para Cesar Gon, a explicação não está nos limites da tecnologia. "As novas possibilidades não estão encontrando caminho para gerar valor dentro das empresas por causa das limitações humanas, principalmente no desenho das organizações", afirmou. A cultura e a estrutura foram feitas para humanos, quando os times agora contam também com agentes de IA. Fechar essa distância é, antes de tudo, um trabalho de gente.
A curva em J e a lição do motor elétrico
Herrera lembrou que essa transição tem um custo inicial previsível, a chamada curva em J: "Ao adotar IA, a empresa pode ter uma queda de produtividade antes de acelerar, porque todo mundo precisa de tempo para trocar o jeito de fazer." E recorreu à história para dar perspectiva: "Quando o motor elétrico chegou às fábricas, foram necessários 20 anos e uma nova geração de engenheiros para reorganizar o trabalho. Estamos vivendo algo parecido." A diferença, apontou, é a velocidade. Essa leitura conversa com o que discutimos sobre o futuro do trabalho e a aceleração da IA.
O novo papel da liderança e do RH
Se o gargalo é humano, a saída passa por quem cuida de gente. Foi o trecho em que o debate mais tocou o coração de quem trabalha com pessoas.
Do "RH zagueiro" ao protagonista
Cesar Gon usou uma metáfora que resume o momento do setor: "Esse RH zagueiro, que só garante que os processos estão indo, teve seu momento. Mas agora vai ter que jogar. Não dá para esperar; é hora de ir para o protagonismo." Herrera complementou com um convite à inovação onde o RH costuma ser mais conservador: "Talvez seja o momento em que o RH está sendo mais convidado a ser inovador, a pensar fora da caixa, porque não há um manual para o que estamos vivendo." Esse é justamente o espírito do RH agêntico que saiu do slide para a prática.
As competências que a IA não substitui
O painel também mapeou o que continua sendo humano. Para Gon, liderar ganha um novo contorno: "O exercício da liderança começa onde as certezas acabam. Se os dados já dizem qual é a decisão, para que você precisa de um líder?" Ele alertou ainda para um risco silencioso, a rendição cognitiva: "A gente usa IA tanto que passa a tratá-la como um oráculo, baixando a guarda do próprio julgamento e aceitando que o que sai do modelo é a verdade absoluta." O antídoto, segundo ele, é manter o senso crítico e a intuição afiados, competências que se desenvolvem na prática. Não à toa, o aprendizado ativo e o senso crítico aparecem entre as principais competências do futuro há anos, tema que aprofundamos nas habilidades do futuro.
A aposta na próxima geração
Um dos momentos mais marcantes foi quando Gon contou uma decisão tomada na contramão do mercado. Enquanto a indústria de tecnologia freava a contratação de profissionais júnior, a CI&T fez o oposto: "Contra-cíclicamente, criamos um programa com 450 estagiários no momento em que o consenso da indústria era parar de contratar júnior. Não foi uma decisão baseada em dados; foi uma aposta geracional." A intuição de que as novas gerações lidam melhor com a mudança falou mais alto que a planilha, um lembrete de que liderar é decidir mesmo quando os indicadores não fecham.
O recado final de Gon serviu para todo mundo na sala: "Ficar parado é o único destino que já está dado. Então: move, vai e faz. Vai errar, mas vai aprender." Essa mentalidade de construção é a mesma que move a Tera desde a sua origem, contada em de escola de dados a AI school.
Tera AI HR Leaders: prepare a liderança de RH para a era da IA
O debate do Share Conference deixou uma provocação clara para quem lidera pessoas. Colocá-la em prática exige método, e é isso que o AI HR Leaders da Tera oferece: uma jornada para líderes de RH aplicarem IA e agentes na gestão de pessoas, com responsabilidade e resultado.
A Tera é a plataforma de quem constrói com IA, uma escola brasileira que já formou mais de 50 mil estudantes em tecnologia e inteligência artificial. Nossa crença é simples: não basta usar IA, é preciso construir com ela.
O mercado promove quem entrega, e é isso que ensinamos na prática em áreas que vão de IA, Produto e Design a Dados, Marketing, Negócios e Liderança, do Membership para quem está começando às formações e à Pós-Graduação em IA Aplicada para Negócios, oferecida com a Faculdade Sirius e reconhecida pelo MEC. A Tera é reconhecida por instituições como World Economic Forum, Google for Startups, Endeavor Brasil e HolonIQ.
Perguntas frequentes
Por que a adoção de IA nas empresas ainda é baixa?
Porque o principal obstáculo é humano e organizacional, muito mais do que tecnológico. Como debatido no Share Conference, faltam desenho de organização, liderança e cultura preparados para trabalhar com IA e agentes. Some-se a isso a curva em J, em que a produtividade pode cair antes de subir, e o resultado é uma maturidade baixa: pesquisas apontam que poucas empresas descrevem uso maduro de agentes, mesmo com alta intenção de investir.
Qual o papel do RH na adoção de IA?
O RH deixa de ser uma área de suporte para se tornar protagonista da transformação. Cabe a ele redesenhar formas de trabalho, formar lideranças para a nova realidade, cuidar das pessoas na transição e ajudar a conectar o propósito do negócio ao propósito individual. Sem um RH ativo e fluente em IA, a adoção trava na cultura e na estrutura da empresa.

AUTOR
Gustavo Costa
Especialista em canais orgânicos e SEO, formado em Marketing e cursando MBA em branding & growth. Sou apaixonado por comunicação e transmitir conhecimento a partir da escrita.
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