Capacitação em IA: o uso cresce e o acesso a aprendizado cai
64% usam IA no trabalho, mas só 51% avaliam bem o acesso a aprendizado (PwC). Veja como o RH estrutura a capacitação em IA.

10 minutos de leitura

Capacitação em IA: por que o acesso a aprendizado cai enquanto o uso de IA cresce
A capacitação em IA virou o gargalo silencioso das empresas. O uso de inteligência artificial no trabalho subiu em um ano e, no mesmo período, o acesso das pessoas a aprendizado e desenvolvimento caiu, segundo a Global Workforce Hopes and Fears Survey 2026, da PwC. Para quem cuida de pessoas, esse dado pesa porque a ferramenta já está liberada em boa parte das empresas, e o resultado depende de quanto o time aprende a usá-la bem no próprio trabalho.
O aprendizado saiu da sala de treinamento e foi para a rotina, e muitas empresas ainda não acompanharam esse movimento. Este artigo mostra o que os dados da PwC revelam, quem fica para trás quando aprender depende de iniciativa individual e como o RH pode desenhar um plano simples de capacitação em IA, que começa por quem ainda não usa a tecnologia e cresce a partir do que funcionar. A ideia é que a leitura termine em decisões práticas para a próxima reunião de planejamento de pessoas.
O que a pesquisa da PwC mostra sobre IA e aprendizado?
A Global Workforce Hopes and Fears Survey 2026, da PwC, ouviu 49.364 trabalhadores em 48 países e regiões entre maio e junho de 2026. Duas curvas andam em sentidos opostos: 64% dizem ter usado IA no trabalho nos últimos 12 meses, dez pontos a mais que no ano anterior, e só 51% avaliam bem o acesso aos recursos de aprendizado de que precisam, contra 59% na edição de 2025.
A mesma pesquisa mostra que o uso diário de IA generativa subiu de 14% para 22% em um ano. Na prática, a IA está entrando mais fundo na rotina, e o apoio para usá-la bem está encolhendo. Mais ferramenta com menos preparo vira uso raso.
No Brasil, o quadro de uso raso aparece nos dados da própria Tera. No AI Adoption Benchmark Brasil 2025, pesquisa com 3.109 profissionais, 87% usam IA para gerar texto, mas só 37% chegaram à automação real de tarefas. O estudo também aponta um gap de 34 pontos entre o que os profissionais sabem sobre IA e o que acreditam conseguir fazer com ela.
O que é capacitação em IA e por que ela ficou para trás?
Capacitação em IA é o conjunto de condições que uma empresa oferece para que as pessoas aprendam a usar inteligência artificial no próprio trabalho: tempo na agenda, conteúdo, prática guiada e apoio do gestor. Ela vai além do curso e inclui o espaço para testar, errar e repetir em tarefas reais.
A dúvida é comum: se a empresa já liberou a ferramenta, por que o time não aprende sozinho? Porque a licença garante o acesso, e o uso depende de tempo, prática e permissão para errar. Quem aprende por conta própria costuma ser quem já tinha tempo, curiosidade e abertura para testar. O restante tende a ficar no uso básico, ou nem começa. É o ponto que o conteúdo sobre qualificação profissional na década da IA aprofunda do lado de quem busca se preparar.
A própria PwC recomenda que as empresas protejam tempo de aprendizado dentro da jornada, em vez de somar o estudo às tarefas do dia.
Quem fica para trás quando o aprendizado não chega a todos?
A PwC divide a força de trabalho em quatro grupos. O maior deles, que a consultoria chama de "engine room" (a sala de máquinas, quem faz a operação girar), reúne 56% dos trabalhadores. Nesse grupo, menos de 40% dizem ter acesso a recursos de aprendizado, contra quase 80% dos "front-runners", o grupo que já combina uso avançado de IA com habilidades disputadas no mercado.
O ponto que costuma passar batido: quem mais precisa de capacitação é justamente quem menos recebe. Quando o aprendizado depende de iniciativa individual, a distância entre os dois grupos só aumenta. Quem já está na frente aprende mais rápido, e quem ficou para trás perde a referência do que deveria aprender.
Para o RH, isso muda a pergunta. A pergunta útil deixa de ser "quantas pessoas fizeram o curso de IA?" e passa a ser "quem ainda não usa IA no trabalho, e o que falta para essas pessoas começarem?".
O que muda no papel do RH com a IA no trabalho?
A capacitação em IA pede outro desenho de treinamento. O modelo de evento, com turma, sala e certificado, não acompanha uma tecnologia que muda rápido e só faz sentido aplicada a tarefas reais. A transformação do mercado de trabalho com a inteligência artificial reforça esse ponto: o que vale é o que as pessoas conseguem fazer com a ferramenta na rotina.
Aspecto | Treinamento como evento | Aprendizado no fluxo do trabalho |
|---|---|---|
Onde acontece | Em sala ou plataforma, fora da rotina | Na própria tarefa, com tempo reservado na agenda |
O que se aprende | Conteúdo genérico sobre a ferramenta | O uso da IA nas tarefas daquele time |
Quem conduz | Área de T&D | Gestor e pessoas do time que já usam, com apoio do RH |
Como se mede | Horas de curso e certificados | Tarefas que passaram a usar IA e tempo devolvido ao time |
Quem participa | Quem se inscreve | Prioridade para quem ainda não usa |
O RH continua no centro, mas com outro papel: sai de organizador de cursos e vira arquiteto das condições para aprender. Isso inclui agenda, metas de gestores e critérios de reconhecimento. Para ver como esse desenho funciona dentro das empresas, vale ler também o guia de treinamento de IA para empresas.
Como levar capacitação em IA a quem mais precisa
Levar capacitação em IA a quem ainda não usa pede um plano simples, que começa pequeno e cresce a partir do que funcionar. Um caminho possível:
Mapeie quem usa e quem não usa: uma pesquisa curta por time mostra onde a IA já entrou na rotina e onde ainda não chegou.
Proteja tempo de aprendizado: reserve horas fixas na agenda para prática, dentro da jornada. Estudo que vira hora extra fica para depois.
Ensine em cima de tarefas reais: escolha com cada time uma tarefa repetitiva e use essa tarefa como exercício. O aprendizado fica, porque resolve um problema de verdade.
Prepare os gestores primeiro: quem lidera precisa saber usar IA para conseguir abrir espaço para o time praticar.
Meça uso aplicado, e deixe as horas de curso em segundo plano: acompanhe quantas tarefas passaram a usar IA e quanto tempo isso devolveu às pessoas.
A primeira turma não precisa ser grande. Precisa começar por quem ficou de fora.
Capacitação em IA: a pergunta que fica para a sua empresa
A IA já entrou na rotina de boa parte das empresas, por cima ou por baixo do radar do RH. O que define o resultado é quem aprende a usá-la bem: um grupo pequeno que avança sozinho, ou o time inteiro, com tempo e apoio para isso.
Na sua empresa, a capacitação em IA chega primeiro a quem já usa ou a quem ainda não começou?
AI HR Leaders: o próximo passo para liderar a capacitação em IA no RH
Se a capacitação em IA ainda não chega a quem mais precisa na sua empresa, o RH pode liderar essa mudança. O AI HR Leaders é uma imersão executiva criada pela Tera, em parceria com a Humanship, para líderes de RH que querem mapear, especificar e prototipar agentes de IA sem depender de TI. O programa termina com um mapa de processos de RH priorizados por ROI, um protótipo de agente construído em ferramenta no-code e um roadmap de 90 dias para levar ao board.
Antes de definir o plano, compare o seu ponto de partida com o do mercado no AI Adoption, a pesquisa da Tera que mede a adoção real de IA entre profissionais brasileiros. Conheça o AI HR Leaders.
Tera: a AI School de quem constrói com IA
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A Tera é uma AI School que forma profissionais e empresas desde 2016 para construir com inteligência artificial, muito além do prompt. Para empresas, a Tera reúne soluções, treinamentos e capacitação em IA para times inteiros: o AI Assessment mapeia a maturidade de IA por área, as AI Sessions levam workshops ao vivo para as ferramentas que o time já usa, o AI Sprint reúne as lideranças em uma imersão de protótipos estratégicos e o AI Builder coloca o time para construir agentes sobre dores reais do negócio. A Tera atende mais de 500 empresas.
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FAQ
O uso de IA no trabalho está crescendo?
Sim. Segundo a Global Workforce Hopes and Fears Survey 2026, da PwC, 64% dos trabalhadores usaram IA no trabalho nos últimos 12 meses, dez pontos a mais que no ano anterior. O uso diário de IA generativa subiu de 14% para 22% no mesmo período.
O acesso a capacitação em IA está acompanhando o uso?
Não. Na mesma pesquisa da PwC, só 51% dos trabalhadores avaliam bem o acesso aos recursos de aprendizado e desenvolvimento de que precisam, contra 59% no ano anterior. No maior grupo da força de trabalho, menos de 40% dizem ter esse acesso.
Como o RH pode capacitar quem ainda não usa IA?
Comece mapeando quem usa e quem não usa, reserve tempo de prática dentro da jornada e ensine a partir de tarefas reais de cada time. Prepare os gestores antes e meça tarefas que passaram a usar IA, em vez de horas de curso.
O que é capacitação em IA?
É o conjunto de condições que a empresa oferece para as pessoas aprenderem a usar IA no próprio trabalho: tempo na agenda, conteúdo, prática guiada e apoio do gestor, com espaço para testar e errar em tarefas reais.

AUTOR
Gustavo Costa
Especialista em canais orgânicos e SEO, formado em Marketing e cursando MBA em branding & growth. Sou apaixonado por comunicação e transmitir conhecimento a partir da escrita.
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