Atualizado 15/11/2021
Double Diamond: por que aplicar em projetos de UX
Entenda o Double Diamond além da teoria: exemplos reais, decisões práticas, erros comuns e como aplicar o framework em projetos de UX de verdade.

7 minutos de leitura
Muitos times dizem que usam o Double Diamond no dia a dia, mas pulam etapas sem perceber. O resultado costuma ser o mesmo: soluções visualmente boas, mas que não resolvem o problema certo.
Neste artigo, você vai entender o Double Diamond além da teoria: como ele funciona na prática, quais são os erros mais comuns ao aplicá-lo, quando ele realmente faz sentido, e quando não faz. Tudo isso com exemplos reais do contexto de UX Design e negócios.
O que é o Double Diamond e por que ele é usado em UX
O Double Diamond começou a ser difundido em 2009 pelo Design Council, organização britânica dedicada a promover o design como ferramenta de impacto social e econômico. A proposta surgiu da observação de padrões comuns no raciocínio de designers ao lidar com problemas complexos.
Na prática, o Double Diamond ajuda times a não começarem pela solução, algo extremamente comum em projetos de produto, tecnologia e marketing. Isso porque o método Double Diamond:
Incentiva a investigação profunda do problema;
Evita decisões precipitadas;
Cria alinhamento entre design, negócio e tecnologia;
Ajuda a lidar com problemas ambíguos e mal definidos.
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O Duplo Diamante vai divergir e convergir. O que significa que você terá grandes insights em momentos em que estiver divergindo, e tomando decisões para próximos passos ou entrega quando convergir.
Durante o pensamento divergente, pessoas designers e não designers conseguem criar ideias de forma espontânea. E mesmo tendo encontrado algo que possa parecer uma resposta para o problema que você quer solucionar, conseguirá considerar outras ideias que surgirem. Os diálogos em grupo envolvem diversos pontos de vista em um pensamento divergente.
Por exemplo, como o processo de descoberta, que pode envolver a utilização de uma chuva de ideias (brainstorm) para analisar outros pontos de vista sobre o problema. A escolha da melhor metodologia vai variar de equipe para equipe.
E nos momentos em que o diamante está convergindo, está tomando um rumo mais rápido, pois foca em velocidade, segunda a psicóloga Joy Paul Guilford.

Clique aqui para baixar o double diamond em alta resolução.
As 4 fases do Double Diamond explicadas com exemplos
O pensamento de design guiado pelo raciocínio de Duplo Diamante se divide em quatro etapas:
Descoberta;
Definição;
Desenvolvimento;
Entrega.
No curso de UX Design da Tera, utilizamos esta abordagem como contato inicial em UX Design para quem está migrando para área ou adquirindo novas habilidades.
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Vamos às etapas, para você compreender melhor uma por uma.
1. Descobrir
Este é o primeiro diamante e ele nos ajuda a compreender o problema que queremos solucionar. Nossa mente foi educada a gerar insights visando a solução imediata de problemas, e aqui somos colocados no exercício de antes, absorvermos aprendizados sobre o problema que queremos resolver. É comum escutar, que nesta etapa você e sua equipe estão “abrindo” o diamante, pois estão divergindo.
Na prática, isso envolve:
Pesquisa com pessoas usuárias;
Entrevistas e observação de comportamento;
Análise do ecossistema do produto ou serviço;
Dinâmicas como brainstorming e mapeamento de jornadas.
Um exemplo clássico é o da Starbucks, citado no livro A Study of the Design Process, onde designers foram enviados às lojas para imergir na experiência real do café antes de qualquer decisão de design.
Essa etapa é essencial para lidar com os chamados Wicked Problems: problemas complexos que só são totalmente compreendidos depois que uma solução começa a ser desenhada.
2. Definir
Esta etapa nos aproxima do problema que queremos solucionar, então após checar informações, entender, imergir e observar, nos aproximamos do problema complexo que queremos solucionar por meio de design.
Nesta etapa, você e sua equipe estão “fechando” o primeiro diamante e estão, portanto, divergindo.
Na prática, a definição envolve:
Organização e síntese de insights;
Formulação clara do problema;
Alinhamento com objetivos de negócio;
Avaliação de viabilidade técnica.
E para seguirmos para esta etapa de forma consistente, precisamos compreender um dos princípios essenciais em UX Design e carreiras digitais: “Não seremos heroínas!” e aqui com isso queremos dizer que diversos problemas complexos podem surgir relacionados que queremos solucionar, porém precisamos compreender o que solucionaremos e o que se torna viável para o momento e objetivo do projeto.
Isso nos ajudará a iniciar o desenho da solução em próximas etapas. Aqui, também compreenderemos se a solução que queremos desenhar anda ao lado das necessidades do negócio, se sua organização possui capacidade de produção e se possui território técnico para que ela seja desenvolvida.
Em muitas organizações, o final desta etapa está próximo do que podemos compreender como a Aprovação do conceito, que resultará no sinal verde para iniciarmos o desenho da solução. Porém, é importante termos em mente que a estratégia não estará completa ou fechada, pois não finalizamos o Duplo Diamante.
3. Desenvolver
Nesta etapa, possuímos sinal verde para iniciar o desenho de nossa solução. Sabemos sobre o problema que queremos atacar e possuímos um conceito, que foi aprovado junto à equipe na etapa anterior. O pensamento que nos guiará aqui será divergente, pois estamos “abrindo” novamente para, na próxima etapa, convergir.
E neste etapa a sua equipe vai se juntar a outras áreas para construírem a solução que pretendem desenhar, como o Time de Marketing, Desenvolvimento, Produto ou Relacionamento com cliente. Uma equipe multidisciplinar vai garantir diversos olhares sobre o que está sendo desenvolvido e uma solução para diversas pessoas, e não apenas para um único segmento.
Cada papel será importante para que construam uma experiência que solucione a dor da pessoa participante da jornada que pretendem desenhar por meio de design e negócios. Aqui, ferramentas de sintetização de ideias, prototipagem e conceitos para o Mínimo Produto Viável (MVP) são utilizadas.
Aqui, estamos desenvolvendo protótipos e testando nossa possível solução, para enfim chegar à etapa de entrega, com algo que esteja bem próximo do serviço, produto, experiência ou projeto final.
Você e seu time testarão o produto ou experiência e validarão com as pessoas impactadas se a dor atacada desde o início foi solucionada. O projeto pode ser revisitado em diversos pontos nesta etapa, pois o processo é orgânico.
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4. Entregar
Após abrir e fechar nosso Duplo Diamante, chegamos à etapa final, onde validaremos por meio de testes finais os últimos pontos para entregar.
Aqui, você e seu time também poderão retornar a outros momentos do Duplo Diamante para ajustes finais de jornada, para que a documentação do processo também esteja em linha com descobertas e aprendizados obtidos após pesquisas, testes e validações.
Mas entregar não significa encerrar o processo. Após o lançamento, é fundamental:
Acompanhar métricas de uso e desempenho;
Coletar feedbacks reais;
Identificar oportunidades de melhoria.
O produto, experiência, serviço ou projeto que estamos desenhando por meio de design será apresentado à pessoa stakeholder e entregue ao cliente ou pessoa usuária final.
A performance da entrega também será acompanhada por meio de dados, para vocês entenderem como ela impactará os objetivos do negócio ou pessoa decisora no projeto.
Quando usar e quando evitar o Double Diamond
O Double Diamond é especialmente útil quando:
O problema é complexo ou mal definido;
Há muitas pessoas envolvidas na decisão;
O impacto da solução é alto;
O time precisa alinhar expectativas e entendimentos.
Por outro lado, ele não é a melhor escolha quando:
O escopo já está totalmente fechado;
O problema é simples e bem conhecido;
Há extrema urgência de execução;
O produto está altamente maduro e em fase de otimização.
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AUTOR
Gabriel Pera





