Configuração vence prompt: o sistema que transforma o Claude em coworker de produto

 Felipe Bedê demonstrou ao vivo 4 sistemas no Claude para produto: skills, multiagentes e automação. Veja os prompts reais, as métricas e o framework C.R.I.A.

13 minutos de leitura

"Quantas horas da sua semana vão para trabalho que não exige o seu julgamento?"

Foi com essa pergunta que Felipe Bedê abriu a imersão Claude para Produtividade. No chat, em tempo real, as respostas vieram rápido: cinco horas montando PPT, mais algumas analisando dados. Todos os dias, várias vezes na semana. Essa é a ferida.

Felipe Bedê é AI Product Lead na Afya, com passagens por iFood, Mercado Livre e Dell. Por três horas, ele rodou ao vivo, sem edição e sem corte, quatro sistemas funcionando no Claude para cerca de 690 profissionais. Não foi uma promessa do que dá para fazer. Foi o que ele já usa no trabalho.

O argumento que sustenta tudo: inteligência virou commodity. Todo mundo tem acesso ao mesmo Claude, ao mesmo GPT, ao mesmo Gemini. O que diferencia não é o modelo. É o sistema construído ao redor dele.

"Configuração vence prompt. Sistema vence ferramenta." (Felipe Bedê)

Este post mostra os quatro casos que ele demonstrou, com os prompts reais e as métricas que a audiência viu na tela. Antes deles, o framework que define em que estágio você está hoje.

Em qual estágio você está?

Felipe apresentou o framework C.R.I.A. para diagnosticar a maturidade de qualquer profissional com IA. A audiência se identificou ao vivo no chat ("estou no I", "eu sou R"), e isso diz muito sobre como o modelo ressoa. São quatro estágios.

1- O Consumidor abre uma aba nova toda vez. Explica o contexto do zero, recebe uma resposta genérica, fecha a aba. É o uso mais comum de todos. Funciona para tarefas avulsas, mas não escala: nada do que ele constrói numa conversa sobrevive para a próxima.

2- O Reprodutor copia prompts que funcionam. Pega o que viu no LinkedIn, adapta, cola no chat. Os resultados melhoram, mas ele continua dependente de terceiros para evoluir. Não sistematiza o próprio método: só reaproveita o dos outros.

3- O Implementador monta fluxos. Conecta ferramentas, cria automações, encadeia etapas. Já entende que o poder não está no prompt isolado, e sim no sistema. É o ponto de virada: aqui o profissional para de pedir respostas e começa a desenhar processos.

4- O Arquiteto projeta sistemas de IA que operam com autonomia. Cria skills reutilizáveis, encadeia agentes, delega rotinas inteiras para o Claude e libera o próprio julgamento para o que importa. É onde Felipe opera. E é o objetivo deste post: mostrar, com quatro demos reais, como se move do C ao A.

O coworker digital que trabalha enquanto você não está olhando

"WALL-E faz o trabalho. Toy Story dá vida." (Felipe Bedê)

A metáfora abre o primeiro caso. O Claude é o WALL-E: executa a tarefa repetitiva, pesada, operacional. Você é o Toy Story: dá contexto, criatividade e significado. Quem cuida do operacional não é mais você.

O Claude Cowork é uma configuração que acessa pastas locais do computador, executa tarefas agendadas e gera Live Artifacts: dashboards interativos que rodam dentro do próprio chat, não prints estáticos. Felipe tinha uma pasta chamada Controle_Estoque com um arquivo feedback_usuarios.csv, atualizado toda semana. Com um único prompt configurado, o Claude leu o CSV, analisou o NPS e gerou um painel completo, salvando o arquivo de volta na pasta sozinho.

O prompt que fez isso:

"Ler o feedback_usuarios.csv mais recente da pasta. Analisar: NPS, top temas mencionados, distribuição promotor/neutro/detrator, volume por canal e os comentários que mais puxam o NPS pra baixo. Gerar um dashboard interativo (Live Artifact), tema escuro, self-contained, usando Chart.js, e salvar o arquivo na pasta como dashboard_feedback.html. Marque premissas e não invente números."

O resultado na tela: 10.809 caracteres de HTML e JavaScript, 7 ferramentas usadas, 3 comandos executados. Zero linhas de código escritas à mão. O Claude leu o arquivo, montou a distribuição entre promotores, neutros e detratores, identificou os temas que mais aparecem e gerou os gráficos com Chart.js.

Quatro lições saíram desse caso. Primeiro, Cowork é um coworker que executa: você define o objetivo, ele faz os passos. Segundo, o artifact roda, não descreve: é um painel que você interage, não uma imagem. Terceiro, o comando /schedule transforma o fluxo em automação: define uma vez, roda por conta toda semana. E quarto, o ponto que amarra tudo: rotina sai, julgamento entra. Quando a análise repetitiva sai da sua frente, sua memória de trabalho fica livre para o que realmente exige você.

O que acontece quando você monta um time de produto dentro do Claude

"Você delegaria um problema complexo inteiro para uma pessoa só? Ou montaria um time?"

A pergunta resume a lógica dos multiagentes. O Claude Code permite criar um orquestrador: um agente principal que distribui tarefas para agentes especializados rodando em paralelo, cada um com o papel de um membro real de um time de produto.

Felipe demonstrou com um plano de delivery para um recurso de lembrete via WhatsApp. Um prompt orquestrador disparou sete subagentes ao mesmo tempo: o PM escreveu um mini-PRD, o Product Designer entregou a spec de fluxo com wireframe em texto, o Tech Lead desenhou a arquitetura e os trade-offs, o Backend definiu o contrato de API e a lista de tarefas, o Frontend especificou as telas, o QA montou o plano de testes com cenários Given/When/Then, e o Data Analytics planejou as métricas e o dashboard. Os sete entregaram em 6 minutos e 29 segundos, somando cerca de 147 mil tokens. Depois, um oitavo agente, o Delivery Lead, consolidou tudo em um plano único. Total: 8 minutos e 11 segundos, 196,2 mil tokens.

O segundo caso é ainda mais direto. Felipe tinha 5.900 cancelamentos para analisar. Em vez de um agente lento percorrendo tudo em sequência, ele colocou quatro em paralelo: o agente A categorizou os motivos, o B cruzou com dados de pagamento para isolar o churn por boleto, o C analisou os concorrentes citados nos tickets, e o D sintetizou o diagnóstico executivo. De pilha de tickets a diagnóstico priorizado, em paralelo e não em fila.

A escolha de quando usar cada modo segue uma regra prática. Tarefas independentes pedem o Agent View: você dispara todos e lê os resultados. Workflows que se repetem pedem subagentes: você define uma vez e roda com consistência. Tarefas com dependência entre si pedem Agent Teams: um líder coordena a ordem de execução.

Skills: como transformar o seu método em um ativo reutilizável

"Quantas vezes você reescreveu o mesmo prompt essa semana?"

Se a resposta passar de uma, o problema não é o prompt. É a falta de uma skill. Skills são prompts salvos como modelos reutilizáveis no Claude, com contexto, regras e formato de saída já definidos. Você ativa digitando /nome-da-skill em qualquer conversa.

A anatomia tem duas partes. O description define o que dispara a skill: os gatilhos que o Claude reconhece para saber quando usá-la. O body define o que ela executa: os passos, o formato de saída, os frameworks e as regras do time que garantem consistência. Quando o Claude roda uma skill, ele não improvisa. Ele segue o seu processo.

Felipe mostrou o próprio arsenal: 17 skills profissionais em uso. Algumas dão a dimensão do que cabe ali: competitive-intel para análise de concorrência, prd-generator para escrever PRDs, stakeholder-translator para adaptar a mesma mensagem a públicos diferentes, executive-brief para resumos de diretoria, discovery-analyzer para tratar pesquisa, e até skill-creator para criar novas skills.

Foi a skill-creator que entregou o momento mais ilustrativo. Felipe pediu: "quero criar uma skill completa focada em fazer PPTs de acordo com um template. Você já tem alguns templates meus da Tera e Modelo Bedê." Em cerca de cinco minutos, o Claude gerou quatro arquivos (SKILL.mdWorkflow.mdVisual-systems.md e Content-preservation.md) empacotados num ZIP pronto para instalar. O Visual-systems.md trazia um catálogo das identidades visuais da Tera, da Afya e da Serasa, inferidas direto dos templates que ele tinha carregado.

O ponto alto veio do encadeamento. Felipe carregou um arquivo de entrevistas brutas com 24 linhas e digitou um único prompt: "pegue esse arquivo, faça o /discovery-analyzer, depois gere um PRD com o /prd-generator, traduza para os diferentes stakeholders usando o /stakeholder-translator e gere um brief executivo com /executive-brief." O Claude confirmou ("vou executar o pipeline completo em sequência: Discovery, PRD, Stakeholder Translation, Executive Brief") e entregou quatro HTMLs compartilháveis mais um PDF de oito páginas. Tudo com a identidade visual do Felipe aplicada, porque ela estava nos arquivos de referência das skills.

Skills não são atalhos. São o método do seu time internalizado e pronto para reusar. É a diferença entre explicar o seu processo toda vez e tê-lo executado do mesmo jeito, sempre.

Um agente no seu navegador que pesquisa o mercado sozinho

"Quando seu benchmark competitivo esteve realmente atualizado pela última vez?"

Para a maioria dos times, a resposta honesta é: há meses. O Claude in Chrome ataca exatamente esse buraco. É uma extensão de navegador, disponível no plano Claude Enterprise, que integra o Claude direto ao Chrome. O agente navega, clica, lê páginas, gerencia abas e memoriza o que encontra, sempre com supervisão do usuário.

São três capacidades que se somam: autonomia no navegador, conhecimento nativo de apps como Slack, Gmail, Calendar, Docs e GitHub, e integração com o Claude Code. Você constrói no terminal, testa no navegador, e o loop fecha sem trocar de janela.

Na demo, Felipe ativou a skill competitive-intel no painel lateral do Chrome e o Claude saiu navegando pelos sites dos concorrentes do Notion. O prompt da skill:

"Abra cada uma dessas URLs, uma por vez. Em cada página, extraia: (1) as principais funcionalidades, (2) faixa de precificação e (3) as 3 maiores promessas da home ou da página de planos. NÃO preencha formulários, NÃO clique em comprar/assinar, apenas leia. Ao final, normalize tudo numa matriz comparativa (funcionalidades x concorrentes) e classifique a ameaça de cada um como Alta/Média/Baixa, com 1 linha de justificativa. Separe o que é fato (estava na página) do que é inferência sua."

O resultado entregue ao vivo mostrou a qualidade da leitura. ClickUp e Coda atacam o Notion pelo mesmo posicionamento all-in-one, com preços parecidos ou menores. Airtable e Monday atacam por flancos diferentes. E o risco menos óbvio: o aumento de 33% no preço do plano Business do Notion, em junho de 2025, pode acelerar a saída de clientes para concorrentes que entregam proposta de valor parecida por preço igual ou menor. O Claude separou o que era fato, o que estava de fato na página, do que era inferência própria, exatamente como o prompt pediu.

Antes de abrir o Claude, responda essas 5 perguntas

Na segunda parte da live, Felipe trouxe um aviso. Ele usou a Moana como imagem: ela aprende a ler o oceano antes de navegar, não sai remando no escuro. O profissional que pula direto para a IA sem entender o problema repete o erro que derruba 95% dos projetos do tipo.

Cinco perguntas vêm antes de qualquer prompt, nesta ordem. A primeira é o problema: o que dói, e para quem? Sem isso, você resolve a coisa errada com elegância. A segunda é a causa: por que isso acontece? Use os cinco porquês, porque a causa raiz raramente é a primeira que aparece. A terceira é o esforço: quanto custa hoje? Meça tempo, retrabalho, erro e custo: sem número, você não sabe o tamanho do ganho. A quarta é a oportunidade: onde existe ganho real? Nem todo problema tem IA como melhor solução. E só então vem a quinta: a IA é a melhor resposta? É a última pergunta, nunca a primeira.

"Pular direto para IA sem passar pelas quatro primeiras etapas é exatamente como a estatística dos 95%." (Felipe Bedê)

Próximo passo: pare de usar o Claude e comece a projetar sistemas com ele

Volte para a metáfora do começo. WALL-E faz o trabalho, Toy Story dá vida. O papel do profissional de produto não é executar prompts. É arquitetar o sistema que executa por ele. Quando o operacional sai da frente, sobra o que tem valor humano de verdade: o julgamento, a leitura do usuário, a decisão sobre o que construir.

Os quatro casos desta imersão não são funcionalidades do Claude. São exemplos de como um Arquiteto pensa. Ele não usa Claude. Ele projeta sistemas com Claude, e isso é método, não talento.

Se você ainda está nos primeiros passos, o guia como usar o Claude para product managers cobre a configuração básica de Projects e os quatro workflows essenciais antes de chegar neste nível de sistema.

O que Felipe demonstrou em um workshop de 8 horas cobre uma fração do que um PM com IA bem configurada consegue entregar. A formação IA Product Managers da Tera trabalha cada uma dessas camadas, do claude.md ao Cowork, com cases reais e mentores que usam essas ferramentas no trabalho de produto todo dia. São mais de 35 horas de conteúdo on demand, com exercícios práticos e templates prontos para aplicar no seu produto.

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AUTOR

Micaela Sousa

Publicitária apaixonada por transformar ideias em conteúdos que conectam de verdade. Gosto de contar boas histórias, simplificar o que parece complexo e criar conteúdos que as pessoas realmente querem consumir e compartilhar.

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