Retrato do John Maeda palestrante

SXSW 2019: 4 insights de John Maeda sobre tendências de design

Uma das principais referências em tecnologia humanizada apresentou, em Austin, reflexões valiosas sobre o momento atual e os rumos do design

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Kaique PaesWritten by:

Todos os anos, a comunidade global de tecnologia volta suas atenções para Meca. Não a cidade árabe, sagrada para os muçulmanos; mas a “Meca da inovação” em que a cidade de Austin, no Texas, se transforma durante todos os meses de março. Lá acontece o festival South by Southwest (SXSW, para os mais chegados), a maior usina de tendências da atualidade. Por lá passam os principais especialistas em tecnologia – turma de ponta, mesmo. Entre eles, John Maeda, que é referência indiscutível nas relações entre tecnologia e pessoas. Aqui, contaremos para você quais tendências de design ele compartilhou na apresentação que fez.

Você não se lembra de quem é Maeda? Basta dizer que esse norte-americano de 53 anos acumula funções e façanhas. Ele é designer gráfico, cientista da computação, pesquisador, escritor e, nas horas vagas, uma das mais importantes lideranças em termos de criatividade e inovação. Já foi eleito uma das 75 pessoas mais influentes do século XXI pela revista Esquire, e também foi chamado de “Steve Jobs da academia”, pela Forbes. Ou seja, quando o homem fala sobre tendências de design, vale ouvir.

Mesa com gadgets variados, como tablet e relógios

Uma hora, muitos insights

No SXSW deste ano, Maeda falou, e falou bonito. Ao longo de uma hora, ele apresentou o 5o Relatório de Design em Tecnologia e compartilhou seis insights nada menos do que preciosos para todos os interessados no assunto. “O relatório abrange as últimas tendências na esfera tecnológica relacionada ao design computacional e à sua contínua evolução”, explicou o especialista, logo no início.

Conheça, agora, os rumos do design de acordo em 2019 com quem entende muito do assunto:

1 – Estamos na era do design computacional

A primeira das tendências de design, na verdade, foi uma reflexão de Maeda sobre o momento atual. Segundo ele, “o design está amadurecendo”. O apresentador se referiu aos três tipos de design conhecidos: o clássico, o design thinking e o design computacional (bem mais recente).

De modo bem resumido, Maeda explicou que cada um teve ou tem seu momento: o design tradicional foi alavancado pela revolução industrial. O design thinking surgiu para inovar nas relações com os consumidores (encarados como indivíduos), aprimorar as experiências.

Já o design computacional é aquele que pode atingir bilhões de pessoas em tempo real. Ou seja, é escalável, alavancado pela computação mobile e pelos mais recentes paradigmas tecnológicos.

Separando alhos de bugalhos

Só que o conceito pode gerar confusão, principalmente em relação aos anteriores. Por isso, John Maeda afirmou ser importante explicar direitinho as atribuições de um designer computacional – ou, como ele mesmo chama, “tecnologista humanista”.

De acordo com ele, esse profissional deve:

  • Entender de computação. Ou seja, deve conhecer códigos representacionais, e talvez de códigos de programação. Sabe o que é fácil e possível, o que é difícil e possível, e o que é difícil e impossível (ao menos por agora);
  • Usar os três tipos de design. O designer computacional precisa acessar a rica história do design tradicional (forma e conteúdo) enquanto trabalha ou lidera via design thinking;
  • Pensar a tecnologia de forma crítica. Deve perguntar o que está sendo feito, quem está fazendo, e por quê;
  • Aprender ativamente e abraçar o novo. O designer computacional considera a interseccionalidade como uma fonte de criatividade. Também abraça novos paradigmas e os aprende com profundidade.

paredes com post-its colados com wireframes desenhados

2 – Abrindo espaço para o design nas empresas

A seguir, John Maeda abordou outra confusão frequente: entre designers e não-designers. “Em uma companhia, essa bagunça é muito ruim”, afirmou ele, porque o “valor do design está na relação dele com outras partes da operação da companhia”.

Então ele passa a palavra à McKinsey. Ou melhor, a um estudo realizado pela empresa para delinear o território do design nas organizações. A definição: “design é aprender, testar e iterar com consumidores”. Os melhores resultados vêm da fusão constante entre pesquisas com usuários — qualitativas e quantitativas. As informações devem ser combinadas a relatórios analíticos sobre as ações de concorrentes, sobre tecnologias emergentes, etc.

Retomando a palavra, Maeda dá seu próprio ponto de vista: “designers gostam de ser introvertidos juntos.” Mas natureza são divergentes por natureza, o que explica a dificuldade de se criar uma cultura de design dentro de empresas — em que prevalece a convergência.

Como mudar isso?

John Maeda compartilhou sua experiência de sucesso como líder da desenvolvedora Automattic, onde a cultura é centrada nas pessoas. Para ele, significa priorizar:

  • Engajamento que vem do topo – o CEO precisa ligar para design e reconhecer que bom design significa bons negócios;
  • Foco em novos talentos – você precisa de uma liderança forte na busca por novos designers;
  • Líderes designers – é necessário ter gestores que entendam de design e que saibam promover novas lideranças;

pessoas sentadas ao redor de uma mesa de reunião

3 – Em tempos de IA… Viva o ser humano!

De certa forma, a terceira parte da apresentação de John Maeda foi na contramão da atualidade. Enquanto todo mundo está refletindo sobre as possibilidades e os riscos da Inteligência Artificial, ele optou pelo potencial humano diante de tudo isso.

Emprestando o “Yes, we can” de Obama, Maeda destacou o nosso otimismo. “Sim, nós podemos combinar o que temos de mais incrível com a tecnologia em nome de um design mais humano, mais inclusivo”, afirmou. E listou alguns exemplos desse encontro:

Controle adaptado do Xbox, que permite que pessoas com deficiência auditiva, visual e motora joguem;

  • Lyra, um app para o iPad que ajuda crianças com autismo a se comunicarem por meio de símbolos;
  • Squadbox, uma ferramenta colaborativa desenvolvida no MIT para combater qualquer tipo de abuso. Ela permite denúncias imediatas via e-mail;
  • Humaans, uma biblioteca online de ilustrações de código aberto “absurdamente fácil de usar e com ferramentas de acessibilidade”;
  • Braille Neue, fonte híbrida (tátil e visual) desenvolvida para atender tanto a quem tem deficiência visual quanto a quem não tem, que será usada nas Olimpíadas de Tóquio.

4 – Last, but not least…

Para concluir, Maeda compartilhou três tendências de design que, para ele, vão se destacar daqui em diante. Na verdade, são três disputas entre conceitos opostos, que geram importantes reflexões.

São elas:

  • Útil VS Cool: de acordo com Maeda, o lado “cool” do design vai acabar prevalecendo, uma vez que é dele que depende o “fator UAU!” de qualquer produto ou experiência;
  • “Feito à mão” VS “feito rapidamente”: a conclusão de John Maeda é que tanto o processo artesanal quanto a cultura de startups podem coexistir perfeitamente;
  • Defesa VS ataque: para o executivo da Automattic, ações de design bem sucedidas envolvem uma estratégia de ataque, pró-ativa. Ou seja, fazer perguntas para os usuários sobre quais navegadores usam, seus hábitos de navegação etc. É isso que vai permitir ao designer — e a todo o time — criar o produto ou a experiência mais significativa.

Esses foram os insights compartilhados por John Maeda, um dos principais pensadores sobre o presente e o futuro do design. Se você quiser se aprofundar mais em algum desses temas, conheça nosso bootcamp de UX Design, onde você poderá melhorar seus resultados e direcionar sua carreira com a ajuda de experts do mercado e trabalhando em projetos reais.

SXSW 2019: 4 insights de John Maeda sobre tendências de design

by Kaique Paes tempo de leitura: 5 min
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