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SQL: conheça a linguagem mais importante do mundo digital

SQL, o que parece uma sopa de letrinhas é na verdade a linguagem usada para manipular banco de dados. Descubra o que significa e como utilizar

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Kaique PaesWritten by:

Já que o inverno está chegando, vale a pergunta: você gosta de sopa? E de sopa de letrinhas? Porque, se você se interessa pela área de dados e de ciência de dados, precisa gostar. É um tal de SAS, SGBD, ou DBMS em inglês, ANSI… Mas a sigla mais importante não é nenhuma dessas; é SQL. E agora você vai entender os motivos (disclaimer: o assunto deste artigo é técnico, mas super importante!).

SQL significa Structured Query Language, ou Linguagem Estruturada de Consultas, em português. Mas não é só “uma” linguagem: é a linguagem padrão universal usada para manipular bancos de dados por meio dos SGBDs. Está complicando? Então vamos dar um passo para trás que vai fazer mais sentido.

SGBS: o “faz tudo” dos bancos de dados

Nos sistemas informatizados, é sempre necessário armazenar informações em bancos de dados. Ou seja, em coleções de dados que se relacionam de forma a criar sentido. Nas últimas décadas, os bancos se tornaram os verdadeiros corações desses sistemas.

tela com dados

Como a informação desses bancos é organizada e administrada? Por meio de um Sistema de Gerenciamento de Banco de Dados – justamente o SGBD. Essa sigla se refere ao conjunto de programas de computador (softwares) responsáveis pelo gerenciamento de uma dada base de dados.

Dentro de um banco de dados, o SGBD é uma espécie de faz tudo. Desde salvar os dados no HD até oferecer uma interface para que programas e usuários externos acessem, passando pela ligação de dados e metadados e pelo controle ao acesso dessas informações. E a linguagem que permite esse acesso ao banco é justamente o nosso querido SQL.

Agradeçamos à International Business Machines

A Linguagem de Consultas foi criada em meados dos anos 1970, pela IBM. Logo se tornou popular por ser simples e de fácil uso. Só que, como a linguagem foi sendo redefinida por outros produtores, surgiu a necessidade de padronizá-la. E foi justamente o que a American National Standards Institute (ANSI), organização que estabelece parâmetros para o setor de desenvolvimento nos EUA, fez.

Depois, em cada revisão, a linguagem ganharia um subtítulo, de acordo com o ano – tais como SQL 92, SQL 1999 e SQL 3. Embora seja padronizada pela ANSI e ISO, o SQL ainda possui muitas variações e extensões produzidas por diferentes fabricantes, que trazem diferenças nas estruturas principais.

Muitas linguagens em uma só

Seja como for, a importância do SQL resume-se em uma palavra: unificar. Para entender isso, basta você imaginar que vai viajar para um país cuja língua desconhece, e onde ninguém fala inglês. Seria difícil fazer qualquer coisa, não? De pedir um prato em um restaurante a acertar uma estação de metrô.

Nos bancos de dados, é a mesma coisa: programas diferentes, com códigos diferentes, executando tarefas diferentes. E o SQL funciona como o inglês: a linguagem universal usada pelo desenvolvedor para que todos os programas se comuniquem. Qualquer operação realizadas em banco de dados pode ser solicitada ao SGBD utilizando-se esta linguagem.

Mas, assim como aprender um novo idioma é trabalhoso, conhecer a linguagem SQL traz desafios. A começar pelo fato de que a linguagem é dividida em quatro grupos de acordo com o tipo de operação a ser executada no banco de dados: DML, DDL, DCL e DTL (que tal a sopa agora?)

homem mexendo em um computador com gráficos

Abaixo estão as definições e os comandos para cada um desses grupos, de acordo com este artigo do portal Dicas de Programação:

DML – Data Manipulation Language, ou Linguagem de Manipulação de Dados

Este é o subconjunto mais utilizado da linguagem SQL. Porque é por meio da DML que operamos sobre os dados com instruções de inserção, atualização, exclusão e consulta de informações.

Os comandos SQL desse subconjunto são:

  • INSERT: utilizado para inserir registros em uma tabela.
    Exemplo: INSERT into CLIENTE(ID, NOME) values(1,’José’);
  • UPDATE: utilizado para alterar valores de uma ou mais linhas de uma tabela.
    Exemplo: UPDATE CLIENTE set NOME = ‘João’ WHERE ID = 1;
  • DELETE: utilizado para excluir um ou mais registros de uma tabela.
    Exemplo: DELETE FROM CLIENTE WHERE ID = 1;
  • SELECT: O principal comando da SQL, o comando select é utilizado para efetuar consultas no banco de dados.
    Exemplo: SELECT ID, NOME FROM CLIENTE.

DDL (Data Definition Language, ou Linguagem de Definição de Dados

É o subconjunto de SQL utilizado para gerenciar a estrutura do banco de dados. Com a DDL, é possível criar, alterar e remover objetos (tabelas, visões, funções, etc.). Os comandos são:

  • CREATE: utilizado para criar objetos no banco de dados.
    Exemplo (criar uma tabela): CREATE TABLE CLIENTE ( ID INT PRIMARY KEY, NOME VARCHAR(50));
  • ALTER: utilizado para alterar a estrutura de um objeto.
    Exemplo (adicionar uma coluna em uma tabela existente): ALTER TABLE CLIENTE ADD SEXO CHAR(1);
  • DROP: utilizado para remover um objeto do banco de dados.
    Exemplo (remover uma tabela): DROP TABLE CLIENTE.

DCL – Data Control Language, ou Linguagem de Controle de Dados

É o subgrupo usado para controlar o acesso aos dados. Funciona basicamente por meio de dois comandos que permitem ou bloqueiam esse acesso. São eles:

  • GRANT: Autoriza um usuário a executar alguma operação.
    Exemplo (dar permissão de consulta na tabela cliente para o usuário carlos): GRANT select ON cliente TO claudio;
  • REVOKE: Restringe ou remove a permissão de um usuário executar alguma operação.
    Exemplo (não permitir que o usuário carlos crie tabelas no banco de dados): REVOKE CREATE TABLE FROM claudio.

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DTL – Data Transaction Language, ou Linguagem de Transação de Dados

O quarto e último subconjunto de SQL fornece mecanismos para controlar transações no banco de dados. São três comandos diretos: iniciar uma transação (BEGIN TRANSACTION), efetivar as alterações no banco de dados (COMMIT) e cancelar as alterações (ROLLBACK).

Deu para perceber a importância de SQL, certo? Você pode não ter intenção de se tornar um ou uma expert no assunto, mas conhecer a linguagem faz a diferença, uma vez que permite que a você conhecer o coração de qualquer sistema. Em um mundo cada vez mais digital, “falar SQL” – ainda que só o básico – é um baita diferencial para sua carreira. Caso você queira se aprofundar mais no assunto, conheça nosso Bootcamp em Data Science & Machine Learning for Business e aprenda mais sobre como usar dados para negócios com experts do mercado e aulas práticas.

SQL: conheça a linguagem mais importante do mundo digital

by Kaique Paes tempo de leitura: 4 min
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