desenho de um prototipo de baixa fidelidade

Por que o protótipo é tão importante no processo de UX Design?

Validar informações, fluxos e fazer iterações. Entenda a importância, e os objetivos, do protótipo no processo de UX Design

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Kaique PaesWritten by:

Já ouviu em “fake it until you make it”? “Finja até conseguir”, em bom português, geralmente é usado para pessoas que precisam simular uma confiança ou capacidade que não existe, até que ela se torne concreta.

Em UX design, a expressão ganha um novo significado quando falamos de protótipos. E fingir passa a ser não apenas positivo, como essencial.

A habilidade de desenvolver protótipos permite que você “finja” um novo produto digital. Você pode então testar sua versão fake, reunir feedbacks, corrigir e aperfeiçoar aspectos fundamentais dela antes de “conseguir” lançar uma versão real.

Criar um protótipo é regra se você quer fazer seu orçamento render mais, sem falar na economia de tempo. Mas vai além disso.

O que é um protótipo?

mão segurando um celular em frente a um notebook

Imagine que um amigo tenha idealizado um sistema de inscrição e autenticação que parece incrível. Centenas de linhas de código depois, ele está orgulhoso e o põe no ar. Só que metade dos usuários desistem do processo no meio, porque ele é confuso demais.

Além da decepção, ele acaba de ganhar retrabalho. Não se pode ter certeza se um design funciona até pedir que um usuário a prove. Por isso vale a pena criar um protótipo antes: como ele ainda não tem interfaces e back-end interligados, mais vale traçar novas linhas em cima de um rascunho do que reprogramar tudo.

A palavra vem do grego “Prótos” (primeiro) e Typos (tipo); é o primeiro modelo, algo que está em fase de testes.

Por definição, um protótipo deve ser navegável e permitir que um usuário tenha uma experiência próxima à que teria com o produto final.

Mas acima de tudo, prototipar está em realizar testes e poder evoluir um projeto rapidamente. Por isso, antes de chegar a uma versão sofisticada da solução, versões mais simples e menos fidedignas também são importantes para o processo de prototipagem.

Formas de prototipar

Protótipos podem apresentar diferentes graus de complexidade e fidelidade. Você pode inclusive querer validar aspectos distintos do seu produto em cada etapa, por exemplo. Para isso, precisará de versões que se encaixem nas definições a seguir.

  • Baixa fidelidade

desenho de um prototipo de baixa fidelidade

Geralmente buscam representar estruturas e fluxos básicos nas etapas mais iniciais. Eles enfatizam funções e não apresentam preocupação quanto à estética. Podem ser representados em papel, o que torna a criação bastante descomplicada, além do baixíssimo custo.

Como alternativa, alguns softwares, como Invision, Marvel e Figma, permitem alcançar os mesmos objetivos com rascunhos digitais, o que facilita o compartilhamento e os feedbacks.

  • Média fidelidade

layouts impressos na parede, mostrando um teste de média fidelidade

Neste momento, começamos a dar mais atenção à disposição de elementos gráficos, à arquitetura da informação e à interatividade. Você pode continuar no papel, se preferir, mas wireframes e mockups feitos no computador ajudam a visualizar melhor essa organização e a brincar com o posicionamento de cada componente.

  • Alta fidelidade

uma mesa com dois computadores da apple

Protótipos mais fiéis podem ou não contar com detalhes de cores, tipografia e imagem, mas é ideal que apresentem detalhes funcionais. É nesta fase que os testes mais específicos acontecem, para colocar à prova a usabilidade do produto e identificar falhas.

Um protótipo de alta fidelidade exige mais recursos e deve ser elaborado em um software avançado, quando a solução está mais amadurecida.

Propriedades e benefícios

Só o fato de precisar investir menos recursos para obter resultados melhores já deveria ser suficiente para persuadi-lo a prototipar. Porém, indo mais a fundo, protótipos também ajudam a provar conceitos, expõem falhas e protegem o time de reuniões de emergência, revisões infinitas e maratonas de programação madrugada afora.

  • Comunicação e colaboração

Existe uma diferença enorme entre discutir conceitos abstratos e vê-los aplicados. Documentos abrem margem a muitas interpretações. Porém quando diferentes membros do time, parceiros, clientes e usuários podem mexer em um protótipo, a experiência passa a ser visual, interativa e compartilhada.

  • Venda sua ideia

Fica mais fácil expressar conceitos quando se pode apresentá-los com evidências. Se você precisa convencer clientes ou colaboradores céticos, uma demonstração ajuda sua causa mais que uma descrição.

  • Foco no usuário

Como sempre em UX, o usuário é rei. Um protótipo permite que ele esteja envolvido nesse processo de construção e elimina os “eu acho…” que podem surgir durante as discussões. Não sabe que caminho seguir? Evite suposições; pergunte a quem importa e teste as respostas.

protótipos de baixa fidelidade na parede

  • Feedback mais confiável

Por falar no usuário, suas impressões e reações são mais autênticas quando ele consegue experimentar o produto. Além disso, uma pesquisa que envolve um protótipo torna possível observar comportamentos e absorver feedbacks não-verbais.

  • Análise de viabilidade

Enquanto wireframes, mockups e requerimentos validam ideias, protótipos de alta fidelidade validam também as interações e funções. Todos eles dão a liberdade de errar de forma barata, iterar e ampliar o conhecimento rapidamente.

  • Visão do todo

A prototipagem permite revisitar cada momento da jornada do usuário, o que evita que fatores importantes sejam esquecidos no desenvolvimento do produto final. Imagine arruinar toda uma experiência porque deixou para trás um botão.

  • Antecipação

Quanto mais cedo erros são identificados, melhor. Protótipos permitem encontrar e consertar problemas logo nas primeiras etapas do processo de desenvolvimento. Às vezes, em tempo real, enquanto se realiza a pesquisa com um usuário.

  • Pararelismo

O processo de design não precisa ser sequencial sempre. É possível reunir feedbacks, definir requerimentos e criar novos conceitos e telas mesmo enquanto se está prototipando. Cada uma dessas fases pode ser complementar à outra e integrada quando apropriado.

Fakes por um produto melhor

mesa de reunião com quatro pessoas sentadas em frente a um notebook

Se os oito pontos acima não foram suficientes, considere este: protótipos vão facilitar sua vida.

Eles o ajudam a tomar decisões baseadas em dados e feedbacks, em vez de fazer escolhas heurísticas. A maioria dessas decisões, na verdade, só são finalizadas na fase de prototipação. Também se refletem em um produto que, inevitavelmente, provê uma melhor experiência ao usuário.

E como é literalmente a isso que UX design se resume, protótipos são indispensáveis.

Por isso “fake it until you make it” faz tanto sentido no contexto de UX — testar ideias sem desenvolvê-las é mais barato e eficiente. Finja que tenha um produto excelente, e assim poderá construí-lo.

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Por que o protótipo é tão importante no processo de UX Design?

by Kaique Paes tempo de leitura: 5 min
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