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O que podemos aprender com o crescimento exponencial da Uber na Ásia

Um produto digital que conquistou a Ásia e foi de zero a bilhões de usuários têm muito o que nos ensinar sobre Growth e Product Management

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Kaique PaesWritten by:

Semana agitada para a Uber. IPO controverso, que dá pano pra manga e assunto para mais de um texto, e um fechamento de ações com um preço abaixo do esperado. A Uber já carrega muitas histórias junto com sua marca, e a expansão na Ásia é uma delas.

A Ásia é um mercado fascinante e, ao mesmo tempo, assustador. Lá estão bilhões de consumidores, é verdade. Mas lá também a concorrência é pesada em muitos setores, e as diferenças culturais são assombrosas. Haja estômago para encarar os desafios dos países asiáticos. Mike Brown, o gerente geral da Uber no continente, que o diga. Foi ele o responsável pela jornada absolutamente alucinante da empresa por lá. Quão alucinante? O que você acha do salto de quase 0 a bilhões de dólares em quatro anos?

Pois é. Outros dados também são de derrubar o queixo: de 2013 a 2017, o time de Brown foi de 7 a 1.500 colaboradores em tempo integral, e a Uber saltou de 2 a 15 países atendidos – lembrando que cada um tem seu próprio idioma e suas leis regulatórias. Uma aventura imprevisível e extremamente exigente, para empreendedor nenhum botar defeito.

Passado esse tempo, Brown tomou uma decisão maravilhosa para todos nós: resolveu compartilhar as lições mais impactantes de sua experiência conduzindo a Uber na Ásia. Este texto do site First Round traz os melhores insights dele. No final, é uma tremenda aula de growth e product management, que não poderíamos deixar de compartilhar com você.

Nada de “definir e esquecer”

Para Mike Brown, uma gestão bem-sucedida vai além de estabelecer objetivos claros e manter o time informado sobre as metas. Os grandes product managers se envolvem profunda e pessoalmente em todas as decisões-chave, e ajudam a dar forma aos resultados.

aplicativo do uber aberto na tela de um celular

Brown é provocador: “não gosto quando um profissional diz ‘meu gestor é sensacional, porque me deixa livre pra eu fazer o que quiser e não rola microgestão’”. De acordo com ele, para obterem sucesso, os gestores e PMs devem identificar as decisões críticas ou os problemas que afetam a essência do negócio, e devem se envolver pessoalmente para gerar resultados.

O que significa esse envolvimento? “Revisar eles mesmos as informações, conversar diretamente com os consumidores afetados, e serem ativos em reuniões com stakeholders”. Ou, em palavras mais diretas: “nada de definir e esquecer”. Os melhores gestores sabem de tudo o que está acontecendo no nível da superfície, mas mergulham fundo em iniciativas específicas.

Quando delegar e quando “mergulhar”?

Conhecer a superfície e mergulhar quando necessário é o que Mike Brown chama de “golfinhar” – porque os golfinhos são mestres nisso. Até aí, tudo bem; mas “quando devemos mergulhar?” é uma pergunta valiosíssima. Muitos gerentes de produto se perdem aqui.

Brown dá o caminho das pedras (ainda que debaixo da água): “numa base trimestral, eu iria fundo nos projetos que trouxessem o maior impacto na obtenção dos KPI (Key Performance Indicators) da minha região. Eu iria fundo em um projeto ligado ao KPI de gente e cultura, um projeto ligado ao KPI de alto crescimento, um projeto ligado ao KPI de redução de custos/eficiência e um projeto que melhorasse a experiência dos usuários.”

Ocasionalmente, podem surgir problemas que serão “ameaças existenciais” ao seu negócio. O gestor da Uber conta que, nessas ocasiões, sempre estava totalmente focado. E dá um exemplo: “o governo das Filipinas ‘fechou’ o nosso negócio por um mês. Então, eu literalmente acampei em Manila (a capital) e trabalhei lado a lado com o time de lá para descobrir uma forma de recolocar os carros nas ruas e resolver a nossa relação com o órgão regulador dos transportes, que até então estava tensa.”

aplicativo do uber eats na tela de um computador

Fique bem atento a si mesmo(a)

Um detalhe de que muitos gestores e PMs se esquecem é que eles estão no centro das atenções. Isso significa que seus times ouvem atentamente suas palavras, mas também observam sua linguagem corporal e suas atitudes.

Sendo assim, Mike Brown recomenda que você preste muita atenção ao seu próprio comportamento. “As pessoas estão olhando para você em busca de força, conforto e confiança. Não importam o medo e a frustração que você sinta às vezes; como líder, é preciso deixar isso de lado e projetar positividade. Porque é disso que as pessoas precisam”.

Ele lembra que as pessoas percebem as menores coisas, e são afetadas por elas. “Como responsável por um produto, você é a empresa, e suas palavras e ações definem a cultura e o temperamento da organização em todo momento. Caso você sinta que não consegue projetar a energia certa e a vontade de vencer, é melhor tirar uns dias do escritório para recuperar forças”, completa.

Cultive boas histórias sempre que possível

Recentemente, publicamos aqui no blog um artigo com as 5 grandes tendências para UX Design em 2019 Uma delas é o storytelling. Hoje, mais do que nunca, compartilhar uma boa história é a melhor maneira de inspirar e reforçar valores.

A experiência de Mike Brown é prova disso. Enquanto liderava a Uber na Ásia, ele costumava compartilhar histórias com todos os funcionários, para que sempre se sentissem conectados à empresa. “Eu costumava falar de como usava meu próprio cartão de crédito para alugar carros em Cingapura nos primórdios da UberX. As locadoras do país não aceitavam dinheiro dos motoristas locais, e muitos não tinham cartão. Essa abordagem, digamos, ‘arrojada’ inspirou comportamentos arrojados bem depois.”

Prepare-se para o one-on-one

Quando se trata de uma conversa direta com um colaborador, Mike Brown também recomenda que você vá além. Como PM ou gestor, é preciso levar questões sobre o negócio para o one-on-one – perguntas baseadas em dados que foram revisados antes, tanto qualitativos como quantitativos.

“Se você não fizer isso”, afirma Brown, “você só focará na parte da história que a pessoa que se reporta a você acha que é importante. E isso pode não ter a ver com as verdadeiras questões a serem resolvidas. Vocês vão debater dentro de um único quadro de referência (a perspectiva do colaborador), e isso não é bom”.

Para obter essa visão mais ampla, Brown lembra que é preciso acessar as métricas certas. Só elas permitirão que você examine os dados necessários e desenvolva suas próprias questões e sua perspectiva. “Se você não tem esse tipo de informação rastreável, você não conseguirá extrair o valor necessário dessas reuniões”, completa.

Organize reuniões em torno de decisões importantes

Não tem nada pior do que uma reunião improdutiva. Então, se você quiser que aquele tempo precioso não seja usado em vão – e se quiser engajar o seu time pra valer -, tenha certeza de que uma decisão importante será tomada. É outra dica de ouro de Mike Brown. “Comunique antes que essa decisão é o motivo da reunião. E seja específico sobre o que você quer decidir antes que todos saiam da sala.”

painel de um carro com um celular apoiado com o aplicativo do uber aberto

Ele dá um exemplo que afirma ter funcionado: “uma das primeiras coisas que gosto de fazer em uma reunião é esclarecer a decisão a ser tomada e entender quem vai tomá-la. Se as minhas respostas forem vagas, cancelo a reunião e remarco para quando estiver seguro sobre esses dois pontos”.

Faça com que outros gestores sejam responsáveis

Por último, o líder da Uber na Ásia compartilha uma dica fundamental para a cultura da empresa: a responsabilização de gestores que reportam a você. “Quando coisas ruins acontecem no escritório, o time olha pra você como o gerente sênior que vai adotar medidas que são consistentes com os valores da empresa. Meu conselho: comunique e treine as pessoas sobre o que significa bom comportamento, e então mantenha uma política de tolerância zero em relação a atitudes que violem a cultura que você, como líder, estabeleceu. Todos os seus gestores devem seguir isso à risca.”

Esses foram os aprendizados que a Uber trouxe da Ásia. Se você quiser se aprofundar em liderança e product management, conheça os bootcamps da Tera, na versão full-time e part-time. Aprenda as demandas reais em um aprendizado prático e com mentores e experts do mercado de tecnologia do Brasil.

O que podemos aprender com o crescimento exponencial da Uber na Ásia

by Kaique Paes tempo de leitura: 6 min
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