homem sentado mexendo no notebook que está no seu colo

O impacto vai chegar para todxs: apresentação da pesquisa Re:Trabalho

Veja os destaques da pesquisa inédita sobre o impacto da tecnologia da transformação digital no mercado de trabalho

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E chegou a hora de fechar a primeira Digital Product Week com chave de ouro: no último painel, apresentamos os destaques de uma pesquisa inédita no Brasil para debater sobre como o mercado vem sendo impactado – a tendência é que isso aumente – pela transformação digital. Intitulada Re:trabalho, a investigação trouxe um panorama do futuro do mercado de trabalho e de como os brasileiros enxergam o impacto da tecnologia nas suas vidas profissionais.

A pesquisa foi realizado pela Tera em parceria com a Scoop&Co e a Época Negócios – e inclusive é capa da revista veiculada no mês de Novembro/2018.
Foram consultados mil brasileiros que estão em novas funções por todo o país, como Data Scientists, UX Designers e Product Managers. Também foram ouvidos 70 profissionais de RH. Leandro Herrera, Founder e CEO da Tera, juntou-se a Caio Casseb, Founder e Partner na Scoop&Co e Barbara Bigarelli, Repórter da Época Negócios para apresentar os pontos mais importantes. Para acessar o report completo, é só clicar aqui.

Primeira surpresa: Otimismo

Caio começou destacando que a pesquisa foi bastante ampla, abrangendo as principais capitais do Brasil e pessoas em diferentes estágios na carreira. De acordo com ele, praticamente todo mundo sentiu o impacto da transformação digital em suas vidas.

Mas, em vez daquele medo de que as máquinas tomem nosso lugar, a pesquisa mostrou algo surpreendente: a maioria das pessoas está otimistas em relação a esse impacto


“Isso é muito legal. É interessante ver que, para algumas pessoas, o avanço da tecnologia até possa parecer apocalíptico; mas, de maneira geral, as pessoas estão recebendo bem,” comentou o CEO da Scoop&Co.

Para Leandro, esse dado não deve ser levado como algo trivial. “Diante de um momento de tanta transformação, a percepção poderia ser bem diferente. Esse é um dado relevante”.

Mas e o impacto negativo?

A seguir, Caio mencionou a seguinte pergunta feita aos entrevistados: você sentiu algum impacto negativo? E descobriu que 25% das pessoas já sentiram a transformação de forma negativa — há desde gente que perdeu o emprego porque não estava capacitada para os desafios das novas organizações, até pessoas que deixaram de ser promovidas.

Mas o outro lado da resposta também surpreendeu: 75% disseram que não foram afetados. Que não sentiram nenhum impacto negativo, e “isso é relevante também,” de acordo com Caio. Aliás, ele lembrou que “mesmo o grupo de 25% afirmou que está confiante”. Ou seja, o pessoa sentiu o baque, mas não baixou a cabeça. E Barbara lembrou um ponto importante: “às vezes as pessoas desses 25% trabalham em silos que não estão dentro desse contexto de inovação”.

O passo seguinte foi entender melhor o perfil do pessoal que sofreu impacto negativo. Será que são pessoas mais velhas? Será que estão em uma empresa de um determinado tamanho, que estudaram em determinados cursos?

Sem distinção entre jovens e velhos

“Era uma pergunta relevante,” afirmou Caio. “Fomos com esse olhar; mas descobrimos que não tem diferença no perfil”. Ou seja, está todo mundo no mesmo barco. Para Leandro, isso acontece por causa da velocidade. “Como a transformação vem sendo muito rápida, pega todos os perfis, e todos os perfis têm lacunas de entendimento, de conhecimento sobre o que estamos vivendo”.

Barbara concordou: “é um dado que surpreende, porque mostra que as pessoas que foram e não foram impactadas têm os mesmos perfis. A idade não interfere muito aqui.” E Caio complementou: “é importante observar que não é porque a pessoa é jovem que ela está mais preparada. Como consumidora, isso até pode ser verdade. Mas, no trabalho, são outros quinhentos”.

A lacuna entre percepção e realidade

Depois, foi a vez de entender o outro lado: o das pessoas que não foram negativamente impactadas. “Quisemos entender o porquê,” disse Caio. E 74% disseram que se sentem capacitados digitalmente. Logo em seguida, foi apresentada, a essas pessoas, uma lista de competência técnicas e de habilidades exigidas pelo ambiente digital. E aí veio outra surpresa: muita gente não conhecia ou não tinha nenhuma delas.

De acordo com Caio, essa “dissonância de percepção” é um dos pontos altos da pesquisa. E Barbara lembrou que mesmo as skills que as pessoas dizem mais ter estão distantes do que as empresas querem hoje. “As pessoas têm muito pouco conhecimento de ciência de dados, por exemplo. O cara que tem vai ser mega disputado pelas empresas. E o ciclo de aprendizado com essa pessoa pode ser muito curto, porque ele muda de empresa muito rápido”.

Para Leandro, isso mostra a importância do autoquestionamento. “Temos que avaliar nossas habilidades a todo momento, sempre de acordo com um contexto específico, e sempre olhando pra frente”.

As habilidades comportamentais também devem estar no topo de prioridades de quem quer sair na frente na transformação digital. Para Barbara, ao mesmo tempo em que as fronteiras das profissões estão se diluindo, as pessoas precisam saber como trabalhar nesse modelo orientado para o projeto.


 “Perguntei para vários profissionais sobre qual habilidade é mais importante: responderam que é saber colaborar, conversar com o outro, que não dá pra ficar dentro da casinha etc”. Afirmou a Repórter

Falta orientação

Para Caio, a pesquisa mostrou que todo mundo “está se mexendo, está procurando se atualizar”. Mais um ponto que chama atenção é que essa atualização acontece de várias formas diferentes e simultâneas: as pessoas estão lendo livros, ouvindo podcasts, indo a palestras e cursos, tudo ao mesmo tempo.

Aqui, o CEO da Scoop&Co destaca um ponto importante: “está todo mundo atirando para lados diferentes, o que mostra que há uma demanda por direcionamento e por orientação nesse aprendizado”.

De acordo com Leandro, esse fato abre uma nova fase de estratégia de cada um que é de aquisição de conhecimento. “Em 2030, uma das principais competências que as pessoas terão que desenvolver é estratégia de como aprender. Qual é a melhor maneira de eu aprender rápido para usar aquele conhecimento de forma prática naquele desafio?”

Hoje em dia, as empresas têm exercido um papel super importante nesse direcionamento. “Medimos também que quando a empresa pede determinadas coisas, as pessoas buscam isso,” comentou Caio.

Ser especialista x ser multidisciplinar

A pesquisa também revelou a importância da multidisciplinaridade no ambiente digital. Para Leandro, isso acontece porque o contexto é de problemas complexos, e é impossível resolvê-los com uma só competência, com uma só perspectiva. “Estamos na era do profissional em ‘T’, que precisa de competências transversais e de algumas áreas de aprofundamento”.

Concluindo o papo, os três compartilharam o que fazem para se atualizar. Leandro sempre estudou “como autodidata, absolutamente todos os dias”. Ele cria projetos que o colocam em situação desconfortável e é a forma como fica “mais instigado para aprender. A partir daí, encontro por meio de pesquisas a forma de me capacitar. Isso diário”.

Caio tem um método parecido. “Tento me manter curioso, ler o que aparece. Mas o que acho mais legal é me desafiar. Ou escrevo e peço feedback pras pessoas, ou crio um produto novo e submeto ao mercado… enfim, eu me desafio,” contou ele. E Barbara, como jornalista, afirmou tirar um proveito muito positivo de sua posição. “Estou em uma situação privilegiada, porque ganho para aprender com os outros!”.


Com esse papo, essas informações e esses insights, chegou ao final a nossa primeira Digital Product Week. Esperamos que você tenha gostado dos painéis, e que os conteúdos te ajudem a entender esse momento tão transformador que estamos vivendo. Caso queira se preparar melhor para os desafios que vêm por aí, entre em contato com a Tera e conheça nossos bootcamps!

O impacto vai chegar para todxs: apresentação da pesquisa Re:Trabalho

by Kaique Paes tempo de leitura: 5 min
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