Gustavo Ziller e mias uma mulher falando em frente a um microfone de rádio

Darth Vader e Google: conheça a visão de mundo de Gustavo Ziller

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Kaique PaesWritten by:

Quando iniciamos operações em outras cidades, sempre começamos com um evento para movimentar nossa comunidade local e trazer um pouco da nossa visão de futuro da educação e do trabalho para as pessoas.

E, em Belo Horizonte não poderia ser diferente. Antes mesmo de iniciarmos nossas turmas do Bootcamp em Digital Product Leadership, pensamos em um Meetup para lá de especial na terra do Pão de Queijo.

Por isso, convidamos o mineiro Gustavo Ziller que é criador da série 7 cumes, eleito um dos 50 profissionais mais inovadores do mundo digital pela Revista ProXXima e host do Beagá Invisível na Band FM.

Em uma palestra dividida em três histórias, Ziller contou sobre sua visão de mundo.

Para você que perdeu essa incrível experiência do Meetup (calma que teremos outros) trazemos aqui os highlights da palestra que aconteceu no dia 2 de abril, no WeWork da Savassi.

Os inusitados personagens apresentados por Ziller são crianças que podem estar agora mesmo brincando na sala da sua casa, com iniciativas que surpreendem até mesmo os adultos mais antenados.

Mas ele também trouxe a turma animada de criativos de Beagá para mostrar os novos modelos de trabalho em rede.

Bora conhecer os mineiros?

A pequena Darth Vader

Menina vestida de Dath Vader, sentada em uma mesa e empurrando um lanche de pão de forma

Ziller tem uma pequena amiga com 6 anos de idade. Um belo dia a menina acordou e preparou o quarto para uma batalha, ela tinha acabado de assistir o filme Rogue One de Star Wars e criou a cena perfeita com os recursos do armário, cabides, gavetas etc: os aliados, os inimigos, montou um verdadeiro campo de batalha.

Ligou o sabre de luz e no momento em que ela ia derrotar o império e entrar para a eternidade, na hora que fez o barulhinho rooonnn a mãe gritou da cozinha: “pequena Darth Vader está na hora de comer o seu pão.” E obrigou a menina a parar sua aventura para comer o lanche da manhã. Inconformada ela contou a história para o “tio” Ziller:

“Na hora que a batalha ia acontecer eu tive que ir lá comer meu pão.”

“Mas e aí você voltou pra batalha?”

“Não daí eu não lembrei mais o que tinha que fazer e tal….”

A mãe da menina tem 44 anos, ela é da década de 70, tem a mesma idade do Ziller e ele sabe muito bem como é essa diferença de realidade no tempo: “quando a gente nasceu o máximo de tecnologia era a TV colorida”. Quando a pequena Darth Vader nasceu a referência dela de mundo é a que temos hoje: tudo ao mesmo tempo agora.

A mãe dela tem uma perspectiva da década de 70 / 80, de uma educação industrial daquela época. Não está certo ou errado, é uma perspectiva diferente.

“Todo mundo que convive com criança ou trabalha com produto digital observa como as referências estão em choque e está em choque por causa do digital, do que a tecnologia fez com tudo. Não é o choque das gerações, são as referências. Uma das coisas que a Tera propõe é isso, colocar todo mundo numa referência de mundo pra gente conseguir dialogar porque se não for assim não tem conversa.”

A mãe da Darth Vader fala que é tudo “mimimi”. Mas ela estava apenas criando, ela passou a manhã sendo arquiteta, roteirista do filme, heroína. Sonhando, fazendo o design da batalha, pensando 3D, a renderização da cena.

Mas na hora H ela teve que ir lá comer o lanche porque essa é uma perspectiva da mãe dela, que passou a vida comendo pão às 11 horas da manhã.

“A perspectiva hoje é o principal atrito de qualquer coisa que a gente faça com quem tem uma perspectiva enraizada diferente da gente. Coloca isso em potencial no mundo digital.”

Como bom observador, Ziller comentou sobre o seu maior aprendizado com histórias como essa: “eu não entro mais em nenhum tipo de batalha sem me colocar na perspectiva do outro, seja da experiência, do conhecimento ou do afeto. Você não sabe o que está acontecendo do outro lado da tela. Perspectivas conversam e a idade é uma barreira besta, três gerações diferentes que não estão na mesma página do livro vai ter spoiler.”

Mateus, o menino que cobrou do Google

um menino de pé, dando uma palestra, e na frente um grupo de pessoas sentadas ao chão assistindo

Mateus é o filho mais novo do Ziller e deu uma aula no Google quando tinha 11 anos. O diretor executivo do Google for Startup – São Paulo assistiu o menino fazendo a abertura da palestra do pai no Day1 da Endeavor e ficou tão encantado com a desenvoltura que mandou um email:

“Prezado Mateus, meu nome e André Barrense, sou diretor executivo do Campus São Paulo do Google e queria te fazer um convite para ser professor na aula de encerramento de um programa que chama Google para mães.”

Seguiu-se um diálogo entre pai e filho que reflete muito do que a nova geração traz:

“Olha pai, o cara tá me chamando pra dar uma aula no Google.”

“Que legal e você é capaz?”

“Sou capaz e inclusive acho que eu tenho que cobrar por isso”

“Você tem 11 anos o cara não pode te pagar…”

“Pode cancelar, vou pedir uns videogames.”

Mateus então respondeu para o diretor do Google:

“Eu acho que consigo mas gostaria de dois videogames, uma passagem para São Paulo e gostaria também de jantar um hamburguer”.
Fechou!

Mateus levou um pen drive onde tinha preparado um Keynote. Como assim, um menino de 11 anos sabe tudo isso? Ele tinha feito o curso Chora PPT de construção de narrativas e monta keynotes espetaculares. A aula no Google foi uma catarse para todo mundo que estava lá, com um tema que encantou as mães e silenciou as mães: Como os meus pais acham que me educam.

O que essa história do Mateus ensina tem muito a ver com a forma como a tecnologia quebrou a hierarquização das babaquices da geração anterior, comandada por crenças equivocadas como “quem pode manda, quem não pode obedece”.

Com a história do Mateus como pano de fundo, Ziller mostrou que a tecnologia quebrou a hierarquização: o carinha foi lá e deu uma aula de 1 hora e meia para vinte mães, arrasando no Keynote.

Como a vida real mostra, a quebra da hierarquia machuca, dói, gera insegurança, mas isso foi ótimo porque a gente não sabe tudo e o aprendizado está ai com as pessoas que se aprofundam em determinados temas e transmitem esse conhecimento. Ziller coloca tudo na mesma gavetinha de desenvolver habilidades e isso tem a ver com desenvolver perspectivas, que foi a história da pequena Darth Vader.

“Na era que vivemos é preciso e é necessário instituições de aprendizado como a Tera, é importante não parar de desenvolver habilidades. Desenvolver habilidades é uma necessidade básica desse mundo que a gente vive e é outra coisa que a Tera propõe.”

Beagá invisível: a cidade interconectada

Um homem e uma mulher falando em frente a um microfone de rádio

O Projeto Beagá Invisível começou com reuniões para discutir como fazer a cidade se interconectar com todas as regiões. A proposta é dar voz a tudo o que acontece na cidade e está fora da bolha ou que é da bolha e quase ninguém conhece, mostrando que a cidade tem espaço para florescer as atividades criativas.

Sob o comando do Gustavo Ziller o projeto virou um programa na Rádio Band News FM, com “pauteiros” super conectados com as comunidades, ativistas de bairros e causas e a nata da vida criativa de BH. Uma galera que está vivendo uma BH que nem todo mundo conhece. O programa tem uma reunião a cada 20 dias, com uma vibe inacreditável de toda a turma atuando em rede, com liberdade e autonomia.

“Comecei a refletir muito sobre isso recentemente. Porque a gente está transformando a percepção da Band News, uma instituição equivalente à mãe da pequena Darth Vader no sentido de perspectiva de como se faz rádio, se define pauta e de como se constrói jornalismo.”

Na real, está propondo uma outra coisa que é a construção em rede e que só e possível por causa da explosão digital. Toda pauta é decidida em rede, com a participação em grupos de Whatsapp, Hangout, Hangout coletivo. Quando Ziller chega para gravar está tudo resolvido na nuvem.

“Se a gente não está disposto a atuar em rede a gente vai sofrer, porque essa nova safra de mão de obra que está tomando o poder agora, no sentido construtivo, eles não sabem fazer de outra forma e daí não é só a sua forma que tem jeito, a forma deles também tem jeito.”

O forte aprendizado que o Beagá Invisível tem proporcionado nesse processo que a tecnologia startou é que não existe mais regra, não existe mais preconceito, não existe mais hierarquia. A quebra de hierarquia de informação é tão delicada que mágica acontece naturalmente, sem que as pessoas percebam.

O que aprendemos com essas histórias?

Essas três histórias contadas pelo Gustavo Ziller ilustram o que a Tera vem desenvolvendo no mercado de educação para o trabalho e que agora também se abre para os profissionais de Belo Horizonte.

Associadas a elas temos as três características que a Tera trabalha com maestria:

  • a caixinha das ferramentas para ampliar as perspectivas;
  • a caixinha das ferramentas para desenvolver habilidades; e
  • a caixinha das ferramentas para se conectar em rede e de forma não hierarquizada.

“São as ferramentas para se conectar e conseguir entender que o seu cérebro hoje é uma API e como toda API a gente consegue se conectar com qualquer software. A gente faz isso todo dia, colocar isso de uma forma mais lúdica é como eu entendo que a gente se conecta mais rápido.”

A visão do Gustavo Ziller se conecta com a fala do Leandro Herrera, CEO e Founder da Tera na abertura do Meetup:

“É crença básica nossa, que faz parte do mundo que a gente vive, essa idéia de rede, de poder aprender em rede e de compartilhar, todos fazendo parte de uma comunidade e com um propósito em comum de fazer com que todas as partes se beneficiem igualmente.”

 

Quer descobrir como as ferramentas da Tera abrem novas oportunidades profissionais para a sua vida? A primeira turma do Bootcamp em Digital Product Leadership em BH começa dia 24 de Abril.

Darth Vader e Google: conheça a visão de mundo de Gustavo Ziller

by Kaique Paes tempo de leitura: 7 min
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