Sem dinheiro, sem equipe, sem saber o que fazer

As maiores empresas da atualidade começaram assim — como elas deram certo?

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O que devo fazer para aumentar o número de usuários no meu produto?

Essa é a pergunta que eu mais escuto, e a maioria das pessoas fica frustrada com a minha resposta. Eu não tenho ideia como isso vai acontecer para o seu produto. É impossível saber, porque isso não tem nada a ver com táticas, e tudo a ver com processos.

Uma dica: dinheiro não pode te ajudar

Gif de homem jogando dinheiro para a televisão

É fácil ter uma visão romântica e até simplista sobre como as empresas que mais influenciam nossas vidas hoje conseguiram crescer. É fácil pensar que o Facebook tem 1.3 bilhão de usuários ativos porque o Mark Zuckerberg é um visionário, ou que o AirBnB tem valor de mercado maior que o Hotel Hyatt porque é uma ideia matadora e com melhor custo benefício para turistas. Ou pior, acreditar que elas cresceram simplesmente porque tem muito dinheiro para queimar.

Todas começaram com um produto ruim, sem ter clareza sobre a proposta de valor e sem saber o que fazer no dia seguinte. Elas começaram como todas as empresas começam. Mas elas fizeram diferente, e este é um jogo que se ganha nos detalhes.

1. Errar rápido e com frequência

Duas imagens de flechas representando o caminho das empresas para o sucesso
Nunca é óbvio.

Não existe crescimento sem experimentação. As empresas mais valiosas do mundo entendem que crescimento é fruto de um processo contínuo de tentativa e erro, e que a maneira como as ideias se comportam na vida real é mais importante do que a ideia em si. Elas acreditam que rompantes de criatividade, se não forem acompanhados de pragmatismo na execução, não levam a empresa a lugar nenhum.

Errar rápido, este é o segredo das maiores empresas do mundo. Não erros que possam colocar tudo a perder, mas sim pequenos erros que gerem aprendizados suficientes para novas tentativas.

O AirBnB era uma ideia muito louca. Muito mesmo. E eles sofreram muito pra crescer. Ninguém acreditava que era seguro ou interessante ficar hospedado na casa de um estranho. Mas um dia eles perceberam que as fotos dos imóveis, cuja responsabilidade de tirar era dos usuários, eram horríveis. Eles pensaram: e se contratássemos um fotógrafo profissional para tirar as fotos? Este foi o ponto de virada. Antes dele, milhares de tentativas frustradas.

Gráfico monetário que representa de 2008 a 2012
https://growthhackers.com/growth-studies/airbnb

2. Fazer da empresa um grande laboratório

Gif do personagem do cientista do Simpsons

Uma pessoa sozinha é incapaz de levar uma empresa ao crescimento exponencial. Não adianta depositar todas as fichas no novo cara de marketing digital. São tantas as variáveis e habilidades envolvidas, que o único caminho é com trabalho em equipe. E o time todo precisa gostar do risco de errar, e precisa querer colocar as ideias na rua para validar as hipóteses, não para comprovar as hipóteses. É sutil, mas é diferente.

Estas empresas transformaram o processo de crescer em uma cultura compartilhada por toda a empresa, combinando criatividade e análise de dados para tomar decisões, dia após dia. Todos olhando para as mesmas métricas, avançando juntos para o objetivo de crescimento exponencial.

A beleza disso é que, quando o crescimento acontece, todos sabem a razão de ter acontecido. Não foi por acaso. Todos lembram qual foi o caminho e sabem como percorrê-lo mais uma vez.

Outro exemplo: o Dropbox gastava um dinheiro absurdo em Adwords para conseguir novos usuários. Até que depois de muitas tentativas eles criaram um mecanismo de recomendação, no qual um usuário indica o Dropbox pra outro e ganha espaço de armazenagem gratuito com isso. BOOM!

3. Apostar nas coisas que não escalam

Parte desta abordagem processual para ganhar escala tem uma premissa que a maioria das startups não gosta sequer de escutar. A premissa é fazer coisas que não escalam. Isso mesmo, é fazer experimentos que nunca poderiam ser viáveis em larga escala, mas muitas vezes são a única forma de validar hipóteses importantes.

Imagem com ícones representando etapas de startup

Quem diz isso não sou eu, mas sim Paul Graham, fundador da Y Combinator, uma das maiores aceleradores de negócios do mundo. E quais startups foram aceleradas por ele? AirBnB e Dropbox, entre muitas outras. Alguma coisa ele deve saber.

Depois que o AirBnB viu explodir o número de bookings nos imóveis que tinham fotos profissionais, eles encontraram uma forma de escalar. Eles passaram a recrutar fotógrafos locais, fortalecendo o pilar de comunidade e colaboração, que é uma das forças da marca. Ao melhorar a qualidade das imagens, eles também deram um ótimo exemplo sobre como deveria ser o padrão de qualidade das fotos, e com o tempo os usuários entenderam qual era a barra de qualidade que deveriam perseguir se quisessem ser bem sucedidos.

Sem dinheiro, sem equipe, sem saber o que fazer

by Claudio Yamaguchi tempo de leitura: 3 min
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