Duas mulheres olhando para uma parede com post-it colorido

Product Management: Brazil Insights 2018

Conheça os destaques da primeira pesquisa brasileira sobre o mercado

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Quem são os gerentes de produto do país? Onde vivem? Do que se alimentam? O segundo painel do primeiro dia da Digital Product Week respondeu a essas e muitas outras perguntas. Nele, reuniram-se Will Sertório, Business Design Lead na HandMade UX e Jacqueline Asano, Product Manager no Nubank, com moderação de Talita Morais, Product Manager no Enjoei.

Durante a Live, foram apresentados os destaques da pesquisa inédita “Product Management: Brazil Insights 2018” – que será lançada oficialmente semana que vem sobre o mercado de product management no Brasil. Nas palavras de Will, “faltava algo assim no país, então fizemos benchmarking de outros países”. A ideia é entender melhor, e em detalhes, a situação de quem atua como product manager no mercado brasileiro, para conhecermos os principais desafios da área.

A investigação ocorreu ao longo de um mês de pesquisa. Foram consultadas 198 gerentes de produto por meio de redes sociais como LinkedIn e Facebook, entre outras. Veja, agora, alguns highlights do que foi falado ontem:

Homens ainda predominam

O primeiro quesito apresentado foi o de gênero. Dos participantes, 67% homens e 33% são mulheres. Mas os três participantes enxergam uma tendência de alta do público feminino. Percebo muitas mulheres querendo migrar de carreira,” afirmou Talita Morais. “Quem sabe, na próxima pesquisa, esse número já será bem diferente”. (Nos surpreenda 2019!)

Para confirmar essa tendência temos os índices internos da Tera, que superam essa realidade do mercado, onde as mulheres já somam 37% das pessoas formadas nos nossos bootcamps de Product Management.

Jovens são maioria

Já em relação à idade das product managers, a maioria (62%) tem entre 26 e 35 anos (62%). Will Sertório lembrou que, como expert da Tera, observa a mesma faixa etária dentro dos bootcamps. Jaqueline Asano lembrou que, nos EUA, em que a carreira já existe há mais tempo, essa faixa é mais elástica.

A “salada” da formação acadêmica

O próximo quesito apresentado foi a escolaridade: a maioria dos entrevistados da pesquisa é de humanas. E as principais graduações de humanas são: publicidade e propaganda, seguida de administração, design e direito. Will Sertório observou que os dois primeiros são cursos mais “generalistas”, o que explica um pouco essa incidência no mercado de product management.

De acordo com os três participantes, há um denominador comum entre os gerentes de produto: o entendimento de negócio, não importando tanto a área de que venham. Aliás, a própria formação de Talita, Jaqueline e Will reflete isso: a primeira é formada em tecnologia, a segunda fez engenharia de alimentos e o terceiro cursou cinema.

Nas grandes empresas

Onde trabalham os product managers atualmente? De acordo com a pesquisa, 59% estão em empresas com mais de 100 funcionários. Ou seja, em organizações mais consolidadas. Ou seja, um cenário diferente do que ocorre em startups, em que o CEO também é o PM, o gerente de marketing, etc.

Will Sertório fez uma observação interessante a esse respeito do universo de startups: “vejo dois tipos de founders, aquele focado em vendas e o focado em produtos. O primeiro tende a criar negócios de B2C, e segundo, de B2B. Na minha opinião, faltam founders focados em produtos aqui no Brasil”.

O salário dos product managers

De acordo com a pesquisa, a situação salarial dos gerentes de produto é boa: 37% ganham R$ 10 mil ou mais. A investigação mostrou, também, que o tempo de carreira influencia o valor: pessoas com até três anos de profissão,recebem até R$ 7 mil reais; já profissionais com quatro a nove anos de carreira ganham acima de 10 mil reais.

Para Jaqueline Asano, os valores refletem a responsabilidade do cargo. “Temos que tomar muitas decisões. Lidamos com clientes internos e stakeholders, nosso papel é bastante estratégico,” afirmou ela..

Como é o dia a dia?

Depois, foram apresentados dados interessantes sobre a rotina das product managers. Os participantes da pesquisa responderam como dividem seu tempo entre as tarefas da profissão, revelando se estão ou não satisfeitos com essa “compartimentação”. Veja, agora, cada uma delas:

  • Atividades “políticas” da empresa:a pergunta foi “quanto tempo você passa em dinâmicas ou atividades relacionadas à chamada politicagem na empresa?” A maioria passa de uma a três horas semanais nessas tarefas. E 42% dos PMs acham isso excessivo.
  • Gestão de stakeholders internos: a maioria (29%) investe de quatro a seis horas semanais nessa atividade. E, para 55% dos participantes, esse tempo é adequado.
  • Roadmap: 56% dos PMs acha que o tempo dedicado ao backlog do produto é adequado.
  • Atualização do próprio Product Manager:A maioria investe de uma a seis horas por semana em sua própria atualização, mas 47% acham esse período insuficiente. Para Talita, esse é aquele tempo que o gerente de produto tem que usar forado trabalho para se atualizar, o que pode apertar as coisas, já que, dentro da empresa, com todas as tarefas inerentes ao cargo, fica mais difícil.
  • Experimentos de produto: a maioria (50%) dedica de uma a três horas por semana a experimentar com novos produtos. Esse tempo é insuficiente para 64%. Os dados deixaram Will Sertório triste e feliz ao mesmo tempo: “fico triste porque parece que o pessoal não está conseguindo aculturaro resto da empresa, mostrar a importância desses experimentos; por outro lado, o pessoal sabe que é importante fazer isso, então considera o tempo insuficiente”.
  • Feedback do usuário: 48% dedicam de uma a três horas semanais aos feedbacks dos usuários, e 75% acham que o tempo é insuficiente. Jaqueline Asano conta que, no Nubank, a realidade é diferente. ‘Fazemos muitos testes com usuário. Na semana passada, por exemplo, tivemos uma grande experiência em que todo mundo da empresa que não é do atendimento atendeu os clientes. Engenheiros, desenvolvedores, todo mundo. Para entender a fundo as dúvidas deles. Isso faz parte da nossa cultura”.

Habilidades esperadas do Product Manager

A seguir, Will Sertório revelou as três principais habilidades que um Product Manager deve ter: conhecimentos em UX Design, em tecnologia e em negócios. E mostrou dados da pesquisa sobre cada uma dessas skills:

  • UX Design: os participantes foram consultados sobre como usam o feedback do usuário para construir produtos. Como vimos, o tempo investido é insuficiente, mas esses inputs já são usado para construir e melhorar produtos por 86% dos PMs. E a ferramenta mais utilizada por eles é o Powerpoint.
  • Tecnologia: a maioria dos PMs tem somente algum conhecimento sobre tecnologia: 83%; já 37% são especialistas. Para Jaqueline Asano, “é fundamental que o product manager tenha interesse e dê uma pincelada em assuntos de tecnologia para entender o mindset dos programadores e desenvolvedores com quem vai trabalhar. Vale muito a pena pelo lado da empatia, de entender termos técnicos,” afirmou.
  • Negócios: para 34% dos participantes da pesquisa, existe equilíbrio entre negócio, usuário e viabilidade técnica dos produtos.

Quais são os principais desafios?

Concluindo o painel, foram apresentados os principais desafios mencionados pelos gerentes de produto. Para 17%, a principal questão é a falta de recursos, de tecnologia e de equipe; a seguir, vem a necessidade de mudar a cultura da empresa e a falta de direcionamento dos projetos.

Esses desafios se refletem nas principais demandas dos PMs: 18% afirmam precisar de uma equipe maior, enquanto 17% gostariam de ter metas mais claras e 15% querem melhorar a formação da equipe.


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Product Management: Brazil Insights 2018

by Kaique Paes tempo de leitura: 5 min
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