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Por um design mais humano e menos ferramental

No cotidiano do designer é necessário que o profissional olhe para além das telas de computadores e comece a enxergar os usuários

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O Interaction South America – ISA -, terminou com uma reflexão para os UX designers: Não basta saber mexer em programas e aplicativos, é necessário compreender a pessoa e ter empatia. O manifesto do evento foi por um design mais humano e menos ferramental.

 Para que um designer de experiência consiga projetar um produto digital com sucesso é necessário que se olhe para além da tela, pelas estruturas dos dados e para as pessoas.

 Cada vez mais é necessário que esse profissional seja multidisciplinar, a conclusão da maioria dos debates e palestras do evento levantou a necessidade de um profissional que entenda a fundo sobre pesquisa, interação de usuário e de visual design, mas que também saiba sobre negócios e tecnologia.

 Para quem preferir, os ensinamentos do ISA também estão disponíveis no podclass abaixo:

 Com o avanço da tecnologia, nenhuma indústria está imune a disrupção, que transforma produtos digitais em soluções possíveis e escaláveis.

 Vamos tomar como exemplo uma cafeteria: Se você fosse dono, teria atenção nos grãos, na torra de café e na temperatura da água para oferecer a melhor xícara para seus clientes.

 Mas, se engana quem imagina que só esses pontos envolvem a jornada de um usuário na cafeteria. A jornada começa desde o momento que o cliente para o carro no estacionamento, passa na fila para fazer seu pedido, o faz e recebe seu café. É esse ponto de disrupção que, por exemplo, o Starbucks proporciona a seus usuários, arrematando a experiência com o chamado pelo nome, colocando importância às pessoas que estão consumindo e, transformando a relação em um envolvimento pessoal.

 Se olharmos por outra perspectiva, estaria essa cafeteria imune a disrupção de um concorrente? E se pegarmos a qualidade do café e melhorarmos a experiência dos nossos usuários em cima das oportunidades que não estão sendo aproveitadas?

 Uma pesquisa da Standard&Poors Index pontuou que empresas que tem design no seu pilar de liderança tiveram uma valorização de 211% nos últimos 10 anos se comparadas com as demais empresas da bolsa.

 O Spotify percebeu que essa mudança e aproximação com o usuário é importante, tanto quanto analisar seu big data. Investiram em mudanças que envolviam UX Writer, como incluir o “S” no final de Support e utilizar serviços para coletar insights que os ajudam a tomar decisões rápidas sobre atualizações e avanço da própria plataforma.

 UX Design ainda é um tema muito novo e as pessoas podem ter certas dificuldade para entender a importância e aplicação da área, por isso é importante saber comunicar de forma clara e diversa. O que foi ensinado no ISA tem muito a ver com as informações estarem claras na nossa cabeça e não na do nosso usuário, ou cliente. Cabe ao designer de experiência saber comunicar.

 O design mais voltado ao humano é um resultado desses aprendizados, somos sete bilhões de pessoas na Terra, precisamos entender as culturas e respeitá-las, saber criar e porque criar.

 Afinal, o que leva as pessoas a assinarem serviços como Netflix e Spotify? ou a comprarem celulares e carros de último modelo?

 O avanço da internet das coisas, ou  Internet of Things – IOT,  vem modificando o mercado de design e principalmente os modelos de experiência do usuário.  Até 2020 teremos mais de 50 bilhões de devices conectados à internet e utilizando IOT.

 O design humano precisa crescer e abraçar as tecnologias de inteligência artificial, robôs são projetados por humanos e precisam ter preceitos mais humanizadas para produzir decisões. Em um futuro não muito distante, um carro autônomo pode precisar escolher entre atropelar um cachorro, uma idosa ou uma criança. Qual saída ele conseguirá escolher? Depende do humano que o programar.

  Uma tendência da usabilidade é a interface de voz/texto,produtos como Alexa, Siri e Cortana. Segundo Nicole Katz, UX Designer e Rodrigo Garcia, Estrategista de conteúdo da GlobalLogic, esses produtos tem 4 aspectos importantes que devem ser utilizados constantemente na manutenção e avanço:

  • Objetivo do produto: Produtos que não necessariamente possuem elementos visuais utilizam a linguagem como interface. O tom e a voz dão a identidade e personalidade da marca para o produto;
  • Fluxos de interação: É necessário construir fluxos comuns mas também fluxos de erros ou não entendimento, quando a interface não reconhece um comando;
  • Testes: É importante metrificar dados quantitativos, como taxas de não compreensão;
  • Adaptabilidade: Os robôs podem aprender durante o processo e ir se adaptando conforme a necessidade do usuário, sendo mais orgânico e compreendendo os contextos de fala.

 É aconselhável que o designer entenda a complexidade do seu trabalho, que não envolve apenas o processo digital, envolve olhar o seu próprio usuário e entender seu comportamento com suas próprias características, gostos e comportamentos. O que fica de aprendizado é o manifesto: por um designer com mais empatia e menos ferramental.  

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Por um design mais humano e menos ferramental

by Kaique Paes tempo de leitura: 4 min
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