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O fim dos apps está próximo?

Por mais que seja um mundo abundante em apps, passamos 80% do tempo em apenas 3.

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O ano era 2007. Nós seres humanos já estávamos bem acostumados a nos comunicar com um dispositivo móvel. Tinha se tornado acessível, barato e normal ter um telefone celular.

E achávamos bonitas aquelas peças de tecnologia, que tinham avançado absurdamente em tão pouco tempo.

Naquele ano, a principal fabricante de celulares era a Nokia, que desde 1997 lançava modelo atrás de modelo. Era um negócio sólido, lucrativo e eles faziam aquilo bem.

Com o benefício da história, em retrospectiva é fácil perceber que na verdade eles achavam que faziam aquilo bem. Porque quando Steve Jobs subiu ao palco, naquele mesmo ano de 2007, com um novo aparelhinho no bolso… a casa da Nokia começou a cair.

Steve apresentou ao mundo o iPhone, numa das apresentações de produto mais memoráveis que se tem notícia (assista mais uma vez).

Um produto que revolucionou a forma como nos relacionamos e como interagimos com o mundo. Um produto que fez com que uma industria bilionária, a dos aplicativos para smartphones, surgisse do dia para a noite. Um produto que eram vários produtos em um só — como Jobs apresentou, iPod, telefone e internet, juntos.

Custava uma fortuna, era lindo e nos fez parecer idiotas ultrapassados com nossos Nokias e Motorolas recém-comprados. O iPhone representava o avanço da humanidade na era digital, apontando para um futuro mais conectado, conveniente e mágico.

Os protagonistas da história eram os aplicativos.

O Google entrou na festa com o Android e a coisa explodiu. Como consumidores, passamos a baixar, testar e descartar aplicativos sem remorso nem pesar. Entupimos nossas telas de ícones, e como é do feitio humano, pedíamos mais.

Eram tantos os aplicativos, e tão pesados, que as fabricantes de smartphones começaram a criar versões com maior capacidade de armazenagem, a preços escalonáveis.

Por mais espaço, nós pagávamos. Apaixonados pelos apps, não vimos o que estava bem na nossa cara: que um mundo abundante em apps sempre foi uma ilusão.

E assim como o tempo verbal deste texto até aqui, cada vez mais faz parte do passado.

Todo o carnaval tem seu fim

Em Junho deste ano, os clientes e entusiastas da Patagonia — marca argentina de roupas para esportes com alcance global — receberam a seguinte mensagem da companhia.

Leia novamente. E outra vez. Leia o trecho em que eles dizem: agora que nosso site está lindo e fácil de usar em todos os browsers web de dispositivos móveis, nós não vamos mais manter nosso aplicativo — você pode deletá-lo.

Por mais que argentinos sejam meios malucos, a Patagonia tem razões para antecipar o fim do seu aplicativo.

O mundo dos apps é dominado pelo Facebook. Dos 5 aplicativos com maior número de downloads em Maio de 2016, 4 eram do Facebook.

Estamos viciados em conversar. O número de usuários ativos em aplicativos de mensagem já passou o das redes sociais. E adivinha quem é o campeão da categoria? Facebook Messenger.

Por mais que seja um mundo abundante em apps, passamos 80% do tempo em apenas 3. Não preciso nem dizer de qual a empresa que domina aqui também, né?

Nos Estados Unidos, a taxa média de downloads de novos aplicativos é incrivelmente igual a… zero.

Mas ainda não é hora de dizer adeus

Fiz um pouco de alarde, é verdade. Os apps não vão desaparecer do dia para a noite. Para muitos negócios, ele continuará sendo um canal importante na experiência total do consumidor com as marcas. Mas tudo indica que eles devem perder força, investimento e importância nos próximos anos. A Patagonia, em sua aparente insensatez, apenas acelerou o processo.

Isso não quer dizer que uma experiência mobile incrível tenha deixado de ser prioridade. Muito pelo contrário.

A mudança principal que está em curso é a compreensão de que esta experiência deve acontecer de forma mais natural, integrada aos canais em que os usuários já gastam a maior parte do tempo e sem a barreira dos downloads e logins.

O processo de desenvolver um aplicativo tem se mostrado cada vez mais custoso e ineficaz, uma vez que um app esquecido na terceira tela de um smartphone não tem valor nenhum. Mas custa horrores para desenvolver.

Para onde vamos agora?

Para concluir, quero apontar duas grandes tendências que devem chacolhar a appeconomy nos próximos meses (em era de Pokemon Go, é difícil falar empróximos anos).

Inteligência artificial no modo real.

Todos os gigantes de tecnologia estão na corrida para integrar inteligência artificial nas experiências dos usuários em seus dispositivos e plataformas — engajando ainda mais os usuários em seus canais e jogando pra escanteio os aplicativos.

Depois de alguns alarmes falsos nos últimos anos, parece que agora os robôs vão fazer parte das nossas vidas de verdade.

O Facebook já permite a integração de “chatbots” (saiba mais aqui) no Messenger. Além disso, o próprio Facebook está lançando o M, seu bot proprietário.

O M, rodando ainda em versão beta.

A Amazon permite a integração de centenas de aplicativo ao Alexa — o sistema de inteligência artificial via comando de voz do Amazon Echo (sim, as pessoas estão comprando esse negócio de verdade nos EUA — 3 milhões de unidades vendidas em 20 meses).

O Google está lançando o Allo, um messenger turbinado com inteligência artificial.

Ou seja: em pouco tempo, vamos usar estes canais para nos relacionar com as marcas — comprar, reclamar, acompanhar os pedidos, etc — e não os aplicativos nativos desenvolvidos por elas.

Experiência de navegação web em smartphones está no ponto da virada.

Há algum tempo a experiência mobile de sites (os chamados sites responsivos) é uma condição obrigatória para qualquer marca que se preze.A ideia de Progressive Web Apps foi um estímulo adicional, diminuindo a distância entre a experiência dos aplicativos e dos websites mobile.

E eles estão evoluindo tanto que podem oferecer uma experiência melhor do que um aplicativo, com a vantagem de rodar em qualquer dispositivo e browser — reduzindo absurdamente o custo de desenvolver um aplicativo específico para cada sistema operacional (majoritariamente iOS e Android, mas também Windows Phone). Foi isso, dentre outras coisas, que fez a Patagonia abandonar de vez seu app nativo.

Para completar, no último Google I/O (conferência anual do Google), foi anunciado o Android Instant Apps, que permite que o usuário acesse apenas algumas partes de um determina aplicativo (aquela que interessa a ele) sem que seja preciso fazer o download. Eles garantiram que vai levar “menos de um dia” para os desenvolvedores adaptarem seus aplicativos Android ao Instant Apps.

Qual é o seu plano?

O Facebook tem o plano de dominação do mundo para os próximos 10 anos.

Estou lendo sinais, juntando pontos e tentando encontrar padrões. Talvez eu esteja terrivelmente enganado. Talvez não.

De qualquer forma, se você está pensando em desenvolver um aplicativo, pense duas vezes. Talvez o melhor seja abraçar as novas tecnologias e tendências ainda cedo — enquanto ninguém está olhando – e já ir se posicionando para o futuro que está por vir.

No mundo digital, a única forma de não morrer é estando um passo a frente. E torcer para não estar diante de um abismo.

One Response to :
O fim dos apps está próximo?

  1. Isso deixa, a todos nós empreendedores, completamente perdidos. Pensando bem talvez nós empreendedores sempre vivemos o dilema de que caminho seguir…

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