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Porque Métodos Ágeis podem ser a solução do seu negócio

O que surgiu em uma reunião de 17 pessoas pode ajudar a salvar muitos negócios. Descubra como começar a aplicar a metodologia ágil no seu trabalho sabendo adaptar com as necessidades do seu produto.

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O ano é 2000, bem na virada do milênio, e o engenheiro de software e autor Robert Martin – conhecido como Uncle Bob – enviou um e-mail para um grupo de contatos falando:

“Gostaria de organizar uma pequena conferência em fevereiro aqui em Chicago. A ideia é reunir todos os líderes de metodologias ‘leves’ em uma sala. Vocês estão todos convidados; e também me interesso em saber quem mais eu deveria chamar.”

A reação foi imediata, e apesar do inverno rigoroso 17 tech-rebeldes se reuniram nas Montanhas de Wasath, no estado de Utah nos Estados Unidos, para discutir alternativas para o famoso método cascata de desenvolvimento.

Cinco pessoas sentadas em uma mesa trabalhando com seu notebooks, algumas com fone de ouvido

O método cascata, tradução do termo em inglês WaterFall, exige que planos detalhados de requerimentos e de execução sejam elaborados com antecedência e passados sequencialmente de função em função. Essa abordagem até funcionava bem em ambientes estáveis, mas se tinha uma coisa bastante característica daquela época (Alô Alô bolha da internet!) era a crescente instabilidade do mercado de software e tecnologia.

As mudanças eram rápidas e imprevisíveis. Produtos se tornavam ultrapassados antes mesmo de chegarem nas mãos dos clientes, e a burocracia só servia para atravancar processos. Métodos de desenvolvimento precisavam acompanhar esse ritmo mais… ágil.

O que é ser ágil?

A conferência em Utah teve dois resultados: O primeiro foi a entidade chamada de “Aliança Ágil” (Agile Alliance), um grupo de pensadores independentes e comprometidos em disseminar valores ágeis. E, o segundo, foi o documento que descreve o Manifesto Ágil,  que reúne uma lista com os 12 princípios do método ágil e que você pode conferir aqui.

Que estão baseados nos seguintes valores:

Indivíduos e interações > processos e ferramentas

Autonomia é primordial. As pessoas devem se sentir motivadas, receber o suporte e confiança necessários para realizar os projetos. Em vez de uma mentalidade de linha de montagem, as equipes devem dar lugar a um ambiente divertido e criativo, voltado para a solução de problemas, sempre em um ritmo sustentável. Interações cara a cara e sugestões de melhoria entre colaboradores são encorajadas, enquanto líderes devem tomar cuidado para remover barreiras que possam impedir ou dificultar a cooperação.

Software em funcionamento > Documentação abrangente

Este ponto é sobre lançar protótipos que permitam ao time observar resultados em condições reais. Dessa forma, seus membros aprendem mais rápido, ficam mais satisfeitos, realizam trabalhos que agregam mais valor ao negócio e a rotatividade diminui.

Como? Fazendo experimentos em pequenas partes do produto por curtos períodos de tempo. Se os clientes gostarem, elas são mantidas; se não, são corrigidas ou avança-se para o próximo experimento. Qualquer impasse deve ser resolvido com hipóteses e testes, em vez de com debates intermináveis ou apelos à autoridade.

cinco pessoas se cumprimentando com as mãos em formato de soco em cima de uma mesa do escritório

Colaboração com o cliente > contratos inflexíveis

As especificações de um produto devem estar sempre evoluindo ao longo de um projeto, pois mesmo estando em contato com o usuário a todo o momento, ele raramente pode prever o que realmente desejará do resultado final. No entanto, realizando uma prototipagem rápida, testes frequentes de mercado e mantendo a colaboração constante com clientes — prestando também atenção ao tempo entre a idealização de um produto até sua comercialização (time to market) e ao custo — o trabalho permanece focado em entregar o que eles acabarão valorizando mais.

Responder as mudanças > seguir um plano

A maioria dos planos convencionais e excessivamente detalhados de gerenciamento de projetos são um desperdício de tempo e dinheiro. Não leve a mal: criar uma visão e um planejamento são muito importantes! Mas quando chega a hora de pensar em tarefas, os times ágeis devem planejar apenas aquelas que, com toda a certeza, não vão mudar até o momento em que chegarem até a execução delas. E alterar percursos já no meio para o final do processo de desenvolvimento pode ser frustrante para alguns, mas vale lembrar que isso os aproximará dos usuários e proporcionará melhores resultados.

Quando e como ser ágil?

Metodologias ágeis combinam muito bem com inovação. Os times são geralmente pequenos (até 8 pessoas) e multidisciplinares, ou seja, reúnem diferentes talentos e técnicas para:

  1. Pegar um problema grande
  2. Compartimentá-lo em vários módulos
  3. Desenvolver soluções para ele em protótipos rápidos e ciclos de feedbacks com clientes

Além disso, o foco das melhorias deve ser sempre nas metas de negócio, para que a equipe saiba que está contribuindo estrategicamente para resultados como taxas de crescimento, conversão, retenção e lucratividade; nunca em objetivos míopes do tipo “número de funcionalidades novas” ou “X linhas de código escritas”.

uma mulher sentada em sua mesa de trabalho com um notebook na frente, na tela do notebook a palavra ideias

Apesar dos princípios serem os mesmos, há vários métodos e cada um deles tem suas características e ambientes mais propícios para aplicação.

O Scrum, por exemplo, é um dos mais utilizados — tem papéis geralmente bem delimitados e funciona em organizações criativas com altíssima colaboração. Já o lean development enfatiza a eliminação contínua de desperdício do sistema, com ambição alta mas sem regras pré-definidas. Enquanto isso, o Kanban permite visualizar fluxos de trabalho e limitar a quantidade de tarefas sendo realizadas, facilitando mudanças incrementais.

Independentemente da forma escolhida, para começar, você vai querer se atentar a alguns passos:

  1. Saiba onde funciona e onde não

As condições adequadas para um time ágil costumam ser encontradas principalmente em desenvolvimento de produto, mas também em projetos de marketing, atividades de planejamento estratégico, desafios de cadeia logística e até decisões de alocação de recursos. Como estão atreladas a inovação, são menos comuns em operações rotineiras.

Métodos ágeis também exigem uma adaptação cultural, então tenha certeza de que os colaboradores estão preparados para isso — além das lideranças, porque hierarquia de comando e de tomada de decisões é algo que só atrapalha a eficiência das equipes ágeis. Então, busque a metodologia que mais se encaixa com seus objetivos e sua organização.

  1. Comece pequeno

Não adianta querer mudar tudo de uma vez. Tampouco é necessária uma grande reestruturação. Em vez disso, altere papéis e funções — times multidisciplinares precisarão de uma gestão matricial, mas primeiro precisam aprender a trabalhar autonomamente e entre si.

A introdução ao pensamento e aos processos precisa acontecer aos poucos e iniciar em pequenos focos. Geralmente começa em TI e produto, já que há chances de que desenvolvedores já estejam familiarizados com os princípios ágeis.

Uma vez que a implantação é bem sucedida, você terá um grupo que pode ajudar a espalhar práticas pela empresa e treinar outros times.

  1. Conquiste a alta cúpula

Muitos executivos associam métodos ágeis com anarquia, como se cada um realizasse o que bem entendesse. Outros acham que é o mesmo que fazer tudo o que já se fazia antes, só que mais rapidamente.

Mas até para os que sabem exatamente como funciona a coisa, é difícil se desapegar de tomar algumas decisões. Só que o que parte da diretoria e o que chega até ela deve dizer respeito somente a alinhamentos estratégicos ou validações mais significativas ou arriscadas.

Por isso, é fundamental que todos estejam na mesma página — desde o acordo de que times terão liberdade para resolver o COMO das soluções com base em suas expertises e no contato próximo com usuários, até o planejamento de O QUE deverá ser resolvido e em que ordem de prioridade.

cinco pessoas em uma reunião, três de pé, olhando diretamente para um notebook que está no centro da foto

  1. Seja flexível

Em 2008, todo o trabalho de desenvolvimento do Spotify era baseado na metodologia Scrum. Em pouco tempo, o time cresceu tanto que foi preciso adaptá-la. Algumas das práticas do Scrum estavam virando obstáculos e o Spotify popularizou o modelo loosely coupled, tightly aligned (livremente acoplado, firmemente alinhado), com mais de 50 squads (além de tribes, guilds e chapters) espalhados em várias cidades diferentes pelo mundo.

Quebrar as regras pode ser saudável, mas é preciso dominar um conhecimento antes de improvisar em cima dele. Faça testes com diferentes métodos e monitore seus resultados para adotar as práticas que aumentam a satisfação de seus clientes, colaboradores e a produtividade.

Torne-se um Líder Ágil

No encerramento da conferência em Snowbird, Utah, Uncle Bob brincou que faria um discurso um tanto sensível: ele compartilhou o privilégio que era trabalhar com um grupo que tinha valores compatíveis, focados em pessoas e em colaboração.

No final das contas, métodos ágeis têm mesmo muito a ver com o lado sensível do trabalho com produto e tecnologia, que por vezes, de fora, pode parecer processual e ligeiramente robótico. Eles encorajam ambientes criativos, cooperativos, uma cultura de autonomia e orientada às necessidades dos clientes — por e para pessoas de verdade.

 


 

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Porque Métodos Ágeis podem ser a solução do seu negócio

by Kaique Paes tempo de leitura: 6 min
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