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Especial Carreiras do Futuro: UX Designer no Mundo Digital

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Especial UX – O despertador toca e é hora de acordar. Antes de se levantar, porém, é provável que você pegue seu celular e abra seus aplicativos de mensagens para checar as conversas que rolaram durante a noite. Então você abre o Facebook, o Twitter e o Instagram para ver os últimos posts e, se ainda tiver um tempinho, consulta seus apps de notícias para começar o dia bem informado.

Boa parte das nossas experiências diárias são intermediadas por produtos digitais. E por trás desses produtos – tanto dos aplicativos e sites quanto do celular ou computador em si – existem pessoas que passam seus dias trabalhando para tornar essas experiências cada vez melhores. Entre elas está o user experience designer – ou designer da experiência do usuário, também chamado pelo nome de UX designer.

Neste especial, você vai entender quem são, como vivem e de que se alimentam essas pessoas. Vai ficar sabendo também por que o UX design é considerado uma carreira promissora, o que se requer do profissional e como é possível obter uma formação no campo.

O que é realmente o UX Design?

O inventor do termo UX foi o professor da Universidade de Stanford e cientista cognitivo Don Norman. Descontente com as limitações dos nomes “interface de usuário” e “usabilidade”, ele preferiu o termo user experience para se referir ao seu trabalho na Apple em 1990. Em uma entrevista concedida na UX Conference de 2016 em São Francisco, Norman contou:

“Uma vez, muito tempo atrás, eu estava na Apple, e nós estávamos conversando sobre como a experiência de usar esses computadores era fraca. Toda a experiência – a descoberta, quando você os vê pela primeira vez em uma loja, quando compra um e não consegue fazê-lo caber no carro porque a caixa é muito grande… E quando você finalmente chega em casa, abre a caixa e pensa ‘Isso parece assustador! Eu não sei se me atreveria a montar esse computador’. Tudo isso é experiência do usuário: é tudo o que está relacionado à sua experiência com o produto (…).”

Norman admite que tem havido uma confusão em relação ao sentido do UX design:

“Hoje esse termo é terrivelmente mal utilizado. Ele é usado por pessoas para dizer ‘Eu sou UX designer, eu faço websites’ ou ‘Eu faço aplicativos’. Eles acham que a experiência é somente aquele dispositivo, ou website, ou aplicativo (…). Não! A experiência do usuário é tudo! É o sistema, mas é também a forma como você (…) experiencia um produto, um serviço, um aplicativo ou um sistema de computador.”  

Deu para ver que o UX design não se restringe, portanto, a produtos digitais: por englobar todos os aspectos da interação do usuário final com a empresa e seus produtos, ele é importante para todo e qualquer serviço. Acontece que nem sempre lhe é dada a devida atenção. O que diferencia um design de experiência eficiente de outro ruim está mais na filosofia da empresa que oferece o serviço do que em suas características técnicas. Enquanto certas empresas visam apenas ao lucro, aquelas que prezam por um bom design de experiência têm sua atenção voltada ao usuário. Ele está no centro de todas as suas estratégias.

O que faz, na prática, um UX designer?

O profissional responsável pela experiência do usuário precisa descobrir e entender as melhores maneiras de atender as necessidades dos usuários e deixá-los satisfeitos antes, durante e depois de sua interação com um serviço ou produto.

Assim, faz parte do seu trabalho fazer testes, identificar problemas e propor soluções, sempre levando em consideração aspectos como a facilidade de uso, percepção de valor do produto e eficiência na execução de tarefas, entre outras coisas.

Segundo Julio Molina, designer de produto na EduK e professor da Tera, “há diversas rotinas possíveis na área, mas os pontos que invariavelmente fazem parte de todas elas são diversas entrevistas e validações com usuários”. Ele enfatiza: “O UX designer faz muita pesquisa mesmo, trabalha com processos que envolvem uma extensiva análise de dados. Então é basicamente pesquisar, projetar, entrevistar, aprender, melhorar, entrevistar novamente, medir, melhorar… é um ciclo”.

Entre as principais atividades desse profissional estão:

– Conduzir entrevistas com usuários para a construção de personas, mapa da jornada, mapa de empatia, proposta de valor do produto, entre outras coisas.

– Analisar dados de uso do produto ou serviço para identificar pontos de tensão e oportunidades de melhoria na experiência do usuário.

– Organizar os dados numa apresentação que comunique suas descobertas para os parceiros de labuta.

– Colaborar com o pessoal do marketing, produto, vendas e negócios para construir a melhor experiência do cliente possível e imaginável, de ponta a ponta.

– Descobrir novas oportunidades de negócios.

– Construir protótipos de aplicativos mobile e desktop para testar e validar hipóteses.

– Colar muitos post-its pelas paredes do escritório, com rabiscos incrivelmente fáceis de entender.

Uma carreira em ascensão

Para entender de uma maneira simples por que o UX designer é importante, vamos propor um desafio: será que você consegue se lembrar de todos os aplicativos que já usou até hoje? Destes, quantos continua usando pelo menos duas vezes por semana? A lista é com certeza muito menor, certo? Agora pense: o que faz com que você continue usando esses produtos? Eles provavelmente são úteis, ou talvez sejam absolutamente viciantes. Mas talvez existam no seu histórico muitos outros aplicativos com as mesmas funções básicas e que não conseguiram capturar sua atenção por muito tempo. Existem inúmeras redes sociais e mensageiros instantâneos por aí, mas você provavelmente é usuário ativo de somente alguns deles.

Da mesma forma, há centenas, talvez milhares de aplicativos para acompanhar notícias, organizar as tarefas do dia a dia, monitorar finanças. O que realmente nos mantém fiéis é a qualidade da experiência geral do usuário – e isso vale para qualquer produto, não só os aplicativos. É essa experiência que pode nos tornar cativos daquele joguinho viciante, daquela rede social cheia de gente fazendo textão e postando selfie, ou mesmo de determinado banco.

As empresas estão de olho nisso, até por uma questão de sobrevivência em uma era de abundância em que todo produto ou serviço se tornou substituível. Segundo uma pesquisa da Hyper Island, muitas marcas já acreditam que a experiência do usuário será em breve mais importante do que o preço como diferencial competitivo. Um  estudo feito pela User Testing mostrou que cada U$1 investido em UX gera um retorno entre U$2 e U$100, dependendo da forma como é aplicado. Em uma pesquisa conduzida pela Accenture, nada menos do que 81% dos executivos globais em tecnologia da informação e negócios disseram que oferecer uma experiência personalizada ao usuário está entre as três prioridades de suas empresas, com 39% colocando isso como sua preocupação número 1.

Segundo a consultoria de experiência do usuário Temkin Group, os usuários estão 6 vezes mais propensos a comprar um produto se tiverem uma experiência emocional positiva, 12 vezes mais propensos a recomendar a empresa e 5 vezes mais propensos a perdoar um engano.

Isso não poderia deixar de refletir no aumento da busca por esses especialistas. De acordo com um artigo da Brazen Life, o UX designer está entre os 7 profissionais mais procurados na área de design e planejamento. Além de ser já ser uma área altamente requisitada e valorizada, a CNN prevê que as ofertas de emprego para o designer de experiência do usuário devem aumentar 18% nos próximos 10 anos. Os salários nos Estados Unidos estão por volta de 90 mil dólares anuais de acordo com o portal Glassdoor, podendo chegar a até 117 mil dólares anuais.

“O mercado em UX design está muito aquecido. Apesar de o mercado brasileiro sempre estar um pouco atrasado em relação ao americano ou europeu, hoje as empresas estão reconhecendo a importância desse trabalho e investindo nesses profissionais”, diz Julio Molina. “Há oportunidades para todos os níveis de conhecimento, mas os profissionais mais experientes estão vivendo um momento bem único. Tem muita gente crescendo bastante, indo trabalhar no exterior por um tempo e voltando para o mercado brasileiro com a experiência. Acho isso ótimo, pois poucas profissões conseguem ter essa mobilidade em diferentes culturas – o que, além de tudo, faz o volume das oportunidades continuar sempre alto”, completa.

Mas dinheiro não é tudo, certo? Ainda assim, o cenário é bom: a consultoria Nielsen Norman Group recentemente publicou uma pesquisa mostrando que a carreira no UX Design traz altos níveis de satisfação e qualidade de vida.

Qual a formação necessária para ser um UX Designer?

Não há base tradicional para os designers de experiência do usuário. “Conheço diversos tipos de pessoas que trabalham como UX designers com diferentes formações. Além da clássica em design, os profissionais também surgem de outras áreas, como publicidade, marketing, arquitetura…. Já trabalhei com um ótimo designer que tinha estudado administração e direito. Há outros excelentes que basicamente são autodidatas ou fizeram cursos livres”, diz Julio Molina. “Tenho notado de uns anos para cá os profissionais estudando muito sobre negócios. Não foi sempre assim, mas isso tem colaborado significativamente para a atuação dos designers de maneira mais eficiente na solução dos desafios que o mercado possui”.

De modo geral, a capacidade de ter empatia, sintetizar e comunicar ideias e compreender o comportamento humano são mais importantes do que a formação profissional. “Vejo os profissionais de UX como cientistas ou detetives. Acho que são profissionais curiosos por natureza, sempre tentando encontrar melhores maneiras de resolver problemas através de um olhar cético sobre as verdades que a maioria das empresas e produtos trazem”, completa Julio.

De fato, a formação em UX, qualquer que seja ela, deve partir do princípio de que o ser humano é o fim e não um meio para atingir propósitos organizacionais. Esse profissional precisa ter a consciência de que as organizações deixaram de apenas produzir e vender para, em vez disso, resolver problemas e aproveitar oportunidades que melhorem a qualidade de vida das pessoas. Nesse contexto, o portfólio é mais importante do que o currículo para comprovar as habilidades necessárias aos empregadores.

Mas ter conhecimentos técnicos é fundamental também. Como o profissional terá que ser capaz de identificar problemas na experiência do usuário e propor soluções para eles, é desejável estar em dia com as novidades em arquitetura da informação, design industrial, design visual e design de interação.

“Quando se trata de UX designers, vale a pena estar em dia com as mais recentes tecnologias. Os designers que são proficientes com as estruturas mais recentes do JavaScript MVC, como Angular.js, Backbone.js, Ember.js ou React.js, estão em uma posição melhor para criar o tipo de experiência de usuário on-line que as empresas estão esperando alcançar. Você também precisará criar wireframes interativos e testar usabilidade, então é importante saber Balsamiq Mockups, por exemplo”, diz o site da instituição de ensino superior Platt College San Diego, da Califórnia.

O UX na prática: três casos de sucesso

Você já deve ter entendido bem o valor do UX design, mas nada melhor do que algumas histórias reais para ter uma visão ainda mais clara disso.

Por exemplo, poucos serviços podem causar tanta dor de cabeça como os oferecidos pelos bancos. Dificilmente nutrimos sentimentos de amor por eles, e costumamos fugir de qualquer pessoa que tente nos oferecer um cartão de crédito. No entanto, desde que foi lançado, em 2014, o Nubank transformou o cartão de crédito em um objeto de desejo: segundo a empresa, houve mais de 5,4 milhões de pedidos e a fila de espera para conseguir um já tem quase 400 mil pessoas. E a empresa cresce exponencialmente. O segredo? Colocar o design no centro da estratégia de negócios desde o começo. Segundo Guilherme Neumann, líder de design da startup, do cartão roxo ao aplicativo amigável, do tom da comunicação ao atendimento em tempo real, tudo foi projetado para ser não lembrar em nada a chateação e a burocracia dos bancos convencionais. A jogada de mestre foi abraçar a principal tendência de consumo da nossa era: compramos experiências, não produtos. Você pode saber mais sobre a história do Nubank aqui.

Outro caso de UX design transformando a relação com entidades geralmente pouco populares é o da Youse, plataforma digital subsidiária da Caixa Seguradora. O serviço permite que seguros de carro, vida e da casa possam ser personalizados e adquiridos totalmente online, sem a intermediação de corretores de seguros. Para isso, o UX design foi um fator fundamental. “A equipe de UX foi a primeira a ser formada e esteve junta desde quando a Youse ainda era um projeto dentro da Caixa Seguradora. (…) Desenhamos, rabiscamos e montamos, de forma colaborativa com outras equipes, todo o fluxo de compra”, diz o blog da empresa na plataforma Medium. “Hoje, um ano depois, estamos bem estruturados, trabalhando em diversas frentes da empresa — produto, marketing e branding — com a missão de entender todo esse ecossistema complexo, e antiquado, do mercado de seguros para otimizar processos e projetar experiências memoráveis em diferentes níveis de interação entre a empresa e o cliente”.

Por fim, a estratégia mobile do Airbnb prova que a combinação do UX design com storytelling pode ser muito frutífera. Inspirado pela biografia de Walt Disney, o então CEO Brian Chesky percebeu que era preciso visualizar a jornada do usuário em um storyboard para conseguir entendê-la e definir os próximos passos da empresa. Para projeto, chamado de “Branca de Neve”, eles fizeram uma lista dos momentos emocionais que compõem uma estadia no Airbnb e transformaram os mais importantes em histórias. Para torná-lo um processo de storyboard oficial, contrataram um animador da Pixar para produzir cópias finais de três histórias: a jornada de quem hospeda alguém, a jornada do viajante e o processo de contratação do serviço. Essas histórias passaram a orientar o marketing, a publicidade e as decisões de atendimento ao cliente no Airbnb, além de manter todo mundo trabalhando na mesma página. Mas um dos maiores insights obtidos ao pensar sobre os clientes em termos narrativos foi ter se dado de que o serviço não é um site: a maior parte da experiência acontece offline, e era preciso levar esse conceito para o aplicativo móvel que estava sendo criado. “Em vez de trabalhar com uma planilha ou um Google Doc, estamos criando personagens e começando a entender a personalidade desses personagens”, disse à revista Fast Company o co-fundador e chefe de produto Joe Gebbia.  

Por onde começar?

Se a carreira em UX Design lhe interessou, vale conhecer o bootcamp de User Experience Design da Tera. O programa foi desenhado em resposta à crescente demanda da indústria criativa e digital e oferece mais de 70 horas de conteúdo, com desenvolvimento de projetos, visitas a empresas digitais e conversas com líderes de design do Brasil e do mundo.

O objetivo é desenvolver suas habilidades criativas, estratégicas e técnicas como um designer de experiência tendo sempre como princípio a ideia de que não existe aprendizado sem vida real. Especialmente neste campo, nada ensina mais do que colocar em prática tudo o que se aprende, e nada inspira mais que ver com os próprios olhos empresas e profissionais que estão revolucionando o mercado.

Dá para saber mais sobre os cursos oferecidos aqui. http://somostera.com/

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Especial Carreiras do Futuro: UX Designer no Mundo Digital

by Leandro Herrera tempo de leitura: 11 min
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