desenho de celular mostrando como é a tela do guiabolso

De zero feedbacks a milhões de usuários: como os erros ajudaram o GuiaBolso a criar um produto vencedor

Aprender com erro pode ser o segredo do sucesso e saber se adaptar aos seus usuários garante que você trace o caminho certo para encontrá-lo

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Engana-se quem pensa que algum produto nasce pronto ou perfeito. Aliás, esse é o sonho de 10 em cada 10 founder.

Essa foi também a lição que  Thiago Alvarez, CEO e Founder do GuiaBolso, trouxe para a Digital Product Week. Por mais que a empresa tenha ido de zero a milhões de usuários em pouco tempo, rolaram algumas cabeçadas no caminho. Graças a elas, Thiago e sua equipe conseguiram redesenhar a solução, que hoje ajuda muita gente a colocar ordem na vida financeira. (amém @guiabolso)

Entender melhor esse processo implica conhecer as origens do GuiaBolso. A empresa nasceu da percepção de que existia um enorme diferença entre as pessoas comuns e os bancos:

“vimos que os consumidores entendiam muito pouco do próprio bolso, enquanto os bancos entendiam muito bem do bolso deles,” contou Thiago. “Nosso objetivo, lá em 2012, era reduzir essa simetria, ajudar o brasileiro a entender mais de finanças”.

Segundo suas pesquisas de mercado, o brasileiro não tem plena compreensão do próprio salário. Em números, a compreensão tende a demonstrar que achamos receber, em média, 10% a mais do que realmente temos nas nossas contas no fim do mês e é essa diferença que acaba dificultando investimentos e poupanças.

FinTech? O que é FinTech?

Essa era a premissa que orientou a criação do produto. A ideia era que ele funcionasse como um consultor financeiro para as pessoas. O curioso é que, quando a solução começou a ser desenhada, o termo FinTech, hoje é tão popular, nem existia.

Mas essa fase de design já esbarrou em um obstáculo. “Nós percebemos que era impossível fazer qualquer coisa automática, que tirasse informações de instituições financeiras. Então, dependíamos de usuários fornecerem essas informações e criamos o produto a partir daí,” lembrou Thiago. Como?

“Fazíamos seis ou sete perguntas para os usuários e dávamos respostas sobre o que eles poderiam fazer com suas finanças”.

Zero (00) feedbacks

Foi assim que nasceu o GuiaBolso, em um mundo de funcionalidades totalmente diferente do que vemos hoje. O lançamento oficial aconteceu em março de 2013. Logo depois, aconteceu o que qualquer desenvolvedora mais teme: silêncio (com som de grilos ao fundo). O GuiaBolso não recebeu nenhum feedback. Nada. Pior: “o usuário entrava no site e nunca mais voltava,” confessou Thiago.

Ficou óbvio que algo estava totalmente errado no produto. “As perguntas não eram tão simples como imaginávamos e havia outros problemas, também. Iterávamos, iterávamos, e nada”. Quando ficou claro que, do jeito que estava, o produto não iria para lugar nenhum, Thiago resolveu mudar tudo.

Montou um time super qualificado para viabilizar as conexões automáticas com o banco, para obter as informações financeiras. E essa reformulação durou um ano. Exigiu desenvolvimento intenso de tecnologia backend. “Isso significava investir muitos recursos e tempo,” revelou Thiago.

Passado esse período, foi criado um produto automático, totalmente novo e bem mais próximo daquilo que é hoje. A versão anterior foi abandonada. E logo depois do lançamento, veio o frio na barriga. “Será que as pessoas vão usar? O que vai acontecer?”, perguntava-se Thiago.

Reclamações! Viva!

Bem, o que aconteceu é que, logo depois do lançamento, o GuiaBolso começou a receber feedbacks. Na verdade, reclamações, muitas delas. Mas isso era ótimo, “porque mostrou que as pessoas se interessavam,” contou o CEO.

Em 2014, a meta era lançar o produto e terminar o ano com 50 mil usuários. Mas isso teve que ser rapidamente revisto. “Depois que lançamos o app, atingimos 50 mil usuários em 15 dias. Nós não acreditávamos no que víamos,” lembrou Thiago.

Ele recorda de um final de semana em que estava acompanhando os rankings do Google Play e da Apple Store, e o GuiaBolso ia subindo. Subindo. “Passamos o YouTube! Passamos Tinder! Chegamos ao top 5 nessa primeira semana. Foi quando pensamos: agora sim temos um produto. E precisamos melhorá-lo”.

A relação entre o CEO, produto e Product Managers

Hoje, com a empresa já consolidada, Thiago continua acompanhando o desenvolvimento do produto bem de perto. “Não consigo dissociar negócio e produto. Somos uma empresa de tecnologia, e tecnologia é produto,” contou ele. As métricas do nosso negócio são quantos usuários estamos adquirindo, quantos estão ficando, e somos bem sistemáticos nessa mensuração. Porque é isso o que define o sucesso do negócio. Todos os drivers do negócio estão dentro do produto,” complementou.

Aqui, ele compartilha outra lição: “durante um tempo eu entendia que, tendo uma equipe de produto já formada, eu poderia delegar 100% desse produto pra ela”. Mas isso foi um erro. “Faltava guidance, faltava a visão do produto. A visão do produto está comigo, ainda. E isso não dá para delegar, porque é a visão do negócio,” admitiu.

Esse comentário de Thiago Alvarez é importante para os Product Managers. De acordo com ele, os PMs têm que ter proximidade com quem está cuidando da visão do produto, e nem sempre é o CEO. “Mas esse papel precisa ficar explícito na empresa, senão as decisões não são tomadas. É fundamental identificar quem será o responsável pela visão de produto, com guidelines bem claros, explícitos sobre o que se está querendo construir”.

E para testar o produto? O que fazer?

Depois de contar da trajetória do GuiaBolso, Thiago Alvarez respondeu a perguntas dos participantes. E uma dúvida foi em relação aos testes do GuiaBolso. Ele afirmou que há várias iniciativas na empresa. “Tem um lado de pesquisa mais abrangente em que podemos ir até a casa do usuário, pra entender de forma etnográfica como ele se relaciona com dinheiro, como vive,” contou.

Também são feitos testes de prototipagem, “às vezes com a nossa própria equipe; às vezes, chamamos um pessoal de fora”. O CEO ainda mencionou uma grande reformulação recente do produto: a arquitetura foi repensada “para que tudo o que quiséssemos criar que fosse personalizado pudesse ser colocado no ar em minutos. Não em semanas, ou em dias; em minutos”.

Thiago Alvarez ainda fez considerações sobre o MVP (Minimum Viable Product, ou Produto Minimo Viável). “Quem decide se o produto é bom é o consumidor, o usuário final. Se você demorar muito para interagir com ele, você perdeu tempo, e para ter uma resposta rápida existe o MVP,” refletiu. Só que adianta tentar validar tão cedo a ponto de a pessoa nem entender o produto direito, alertou.

O CEO concluiu com mais um recado importante para os product managers: nada substitui a coragem e a intuição. “Toda a teoria sobre desenvolvimento traz ciência e conforto pra gente, mas isso tem um limite. Depois disso, tem que seguir a intuição. Em algum momento, os donos do produto terão que dar um salto no escuro”.

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De zero feedbacks a milhões de usuários: como os erros ajudaram o GuiaBolso a criar um produto vencedor

by Kaique Paes tempo de leitura: 5 min
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