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Como Google, Airbnb e Spotify contratam UX Designers

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A atividade de User Experience Design, ou UX Design, ainda é bastante recente. As pessoas que trabalham na área são, na grande maioria, jovens — assim como são recentes também os cursos de formação específica na área (entre os quais está o bootcamp da Tera, de que falaremos mais à frente).

Acontece que, embora nova, a área vem crescendo vertiginosamente. E a perspectiva é de que as demandas só se acentuem daqui para a frente. De acordo com uma pesquisa da Adobe Creative Cloud, o UX Design é uma das áreas de atuação em tecnologia que devem obter maior crescimento nos próximos anos. Cerca de 73% dos 500 gerentes entrevistados pretendem dobrar suas equipes de UX Design nos próximos 5 anos.

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Airbnb | Sundance | (Créditos: Bryan Derballa)

A migração já está acontecendo

Diante desse contexto, é normal que designers de outros campos migrem para o UX em busca de melhores oportunidades. São profissionais com formações e habilidades muito diferentes — você poderá encontrar um designer que consiga ilustrar muito bem, e outro que mal seja capaz de desenhar palitinhos; mas ambos podem ser UX Designers competentes. Com efeito, o grupo de pessoas que se denominam designers é absolutamente heterogêneo.

Destaca-se, daí, uma pergunta capital: o que um profissional tem que ter para se destacar como UX Designer? As experiências de Google, Airbnb e Spotify podem ajudar a entender mais sobre isso.

Resolvedores de problemas: o que faz a diferença para o Airbnb

Vamos começar pelo Airbnb. Graças a uma abordagem singular da experiência do usuário, a empresa revolucionou a forma como viajamos — e por isso vem atraindo os perfis mais criativos de todos os cantos do mundo.

O designer alemão Thobias Van Schneider entrevistou Katie Dill, Diretora de Design de Experiência do Airbnb, sobre como a empresa recruta seus profissionais de UX Design. Abaixo listamos os pontos principais da conversa:

Portfólio completo e visual

De acordo com Katie, isto é fundamental. Pois um portfólio bem feito dá, para quem recruta, um panorama rápido e claro sobre as experiências e habilidades do designer. Por isso, no Airbnb, um portfólio é exigido antes que o candidato seja convidado para as entrevistas. “A iniciativa nos ajuda a entender melhor a possibilidade de adequação do candidato — além de garantir que haverá um papel na empresa que se aplicará melhor a ele antes de perder tempo (dele e nosso)”, conta Katie Dill.

Mas só um bom portfólio não basta

A Diretora de Design de Experiência destaca outras qualidades e habilidades que o candidato deve ter: “Procuramos por pessoas com um espírito empreendedor, com uma paixão por construir e um viés para a realização. Nós verificamos isso em seus hábitos de lazer, principalmente. Não é uma exigência que a pessoa tenha uma banda de rock, por exemplo, mas é algo que nos interessa muito e geralmente revela características fortes”.

Processo de Design no Airbnb (Créditos: DesignStudio)

Processo de Design no Airbnb (Créditos: DesignStudio)

O maior erro

De acordo com Katie Dill, o grande erro dos candidatos é expressar o óbvio durante as entrevistas. “As pessoas adoram falar sobre como fazer ‘estratégia do design’ e sobre como querem trabalhar em grandes e novos projetos. Mas elas se esquecem de que quase todo mundo quer isso. Nós estamos mais interessados em encontrar profissionais que saibam como grandes e pequenas melhorias fazem um negócio avançar. Nós queremos os designers que possam ter grandes ideias E que saibam como realizá-las. Profissionais que sejam apaixonados por resolver problemas — e não apenas os problemas ‘sexy’”.

Para o Google, unicórnios são lindos, mas não existem

Agora, vamos conhecer um pouco da experiência de recrutamento de UX Designers da GV, antiga Google Ventures, braço de capital de risco do Google. Neste texto para o portal Co.Design, da Fast Company, Braden Kowitz, da empresa, destaca o que considera indispensável em um processo de recrutamento — abordando o processo do ponto de vista de quem contrata.

De acordo com Kowitz, muitas descrições de vagas seguem mais ou menos o seguinte padrão:

Startup procura por junior designer com perfil de rockstar para elaborar wireframes e desenvolver belos mockups. Você será responsável por criar nosso logo e por escrever textos de User Interface (UI). Exigências: saber como aplicar estudos de usabilidade, conhecer prototipagem e escrever HTML e CSS.

Ora, uma descrição dessas deixa claro que a empresa está em busca de um “unicórnio” — um designer mágico que possa resolver todos os problemas. “Que pena que esse profissional não existe”, lembra Braden Kowitz. Por isso, ele enfatiza que um job description realista é fundamental na hora de recrutar.

A partir disso, ele compartilha o que prioriza no próprio processo de contratação. “Decido, primeiro, quais habilidades são críticas e devem ser contempladas. O restante pode ser coberto por trabalho temporário. São escolhas difíceis de serem feitas”.

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Quais habilidades são essas?

Kowitz lista, então, algumas perguntas cujas respostas ajudam a delinear o perfil ideal de UX Designer, de acordo com áreas diferentes:

  • Pesquisa (User Research): O que os consumidores querem? Eles conseguem entender como usar nosso produto?
  • Desenvolvimento de produto: O que estamos construindo? O que não estamos construindo? No que consiste nosso próximo lançamento?
  • Redação: Como descrevemos nosso produto aos consumidores de forma que eles entendam?
  • Design de interatividade: Como o produto se comporta? Como é organizado?
  • Design visual: Qual o look and feel do produto?
  • Desenvolvimento de User Interface (UI): Como construímos interfaces de alta qualidade com rapidez e flexibilidade?

Designers devem programar?

Já no campo da programação, Kowitz afirma ser importante que qualquer designer “entenda seu meio, e isso significa que designers de software devem dominar o básico de desenvolvimento de software”.

Por outro lado, ele aponta que a exigência de programação pode restringir o recrutamento. “Eu geralmente considero uma má ideia exigir que um UX Designer saiba escrever códigos de produção, porque, uma vez que muitos designers não conseguem, o leque de opções fica bem menor. Além disso, times de startups têm fortes características de engenharia”.

Spotify e a necessidade de se adaptar

Retomando o ponto de vista dos candidatos, vamos entender o que o Spotify busca em um UX Designer. Lembrando que a empresa vem causando uma revolução semelhante à do Airbnb, mas na música. E que, a cada novo lançamento, fica claro como o design da experiência do usuário tem contribuído para produtos muito mais interessantes.

Nesta entrevista para o site Subtraction, Rochelle King, VP de Design e de User Experience do Spotify, é categórica sobre o que a empresa busca em um profissional — e sobre o que não busca também:

“Para além das qualidades básicas que procuramos em bons designers — habilidade de articular seus pontos de vista, entender como alavancar dados para capacitar o design — os profissionais aqui têm que ser altamente adaptáveis e flexíveis. Como empresa, o Spotify está mudando constantemente. Nosso cenário de concorrência está em fluxo intenso nesse momento, assim como a própria indústria da música. Isso significa que a todo momento somos submetidos a desafios que são novos para nós — e para a companhia como um todo”, conta King.

Uma orquestra que precisa de complemento

A VP também comenta sobre momentos em que foi necessário mexer no próprio time do Spotify: “Dado o tamanho da equipe, não foi preciso trocar todos os designers por novos profissionais. Em vez disso, aumentamos o time de modo a enriquecê-lo com perfis complementares”.

A analogia utilizada por King é a de uma orquestra: “Nós tínhamos um ótimo naipe de cordas, mas todos nela tinham que tocar violino. Faltava acrescentar a profundidade de algumas violas e de violoncelos — mas também precisávamos de metais, instrumentos de sopro e percussão. Em termos de design, isso significava que faltavam pesquisadores de usuários, profissionais de prototipagem, entre outros”.

Time de Design do Spotify visita escritório da empresa em Estocolmo (Créditos: Divulgação)

Time de Design do Spotify visita escritório da empresa em Estocolmo (Créditos: Divulgação)

Empenho é a palavra-chave

Ela destaca, também, o caráter transitório da atividade. “O time de design está em transição. Agora mesmo estamos no meio de uma jornada para definir ativa e conscientemente o que ‘design’ significa para o Spotify. Dois anos atrás não havia time de pesquisa de usuários e a equipe de design tinha um terço do tamanho que tem hoje”.

Diante dessa constatação, qual é a mensagem para os candidatos? “Que, como um time, precisamos de pessoas que sejam tão empenhadas em construir uma equipe e uma cultura de design quanto são empenhadas em fazer o trabalho propriamente dito”, finaliza a VP.

Formação completa em UX Design bem perto de você

Os casos dessas grandes empresas não deixam dúvidas: a carreira de UX Designer é cada vez mais relevante para o mundo de hoje: conectado, tecnológico e global. Não é por acaso que os alunos que se formam em UX Design na Tera estão trabalhando em empresas como Itaú, TOTVS e GuiaBolso. Sua próxima chance de aprender uma das competências mais importantes da economia digital, com profissionais que estão na linha de frente da inovação na indústria de tecnologia, trabalhando em projetos reais e construindo seu portfólio enquanto aprende.

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Como Google, Airbnb e Spotify contratam UX Designers

by Felipe Fabris tempo de leitura: 7 min
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