mãos se tocando em formato de soco sob uma mesa

O que podemos aprender com a maneira como a CargoX organiza seus times de tecnologia

Aprenda sobre como organizar times digitais através da experiência de Joaquim Neto, CPO na CargoX

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Squad or not Squad? Eis a polêmica questão da organização de times digitais. Trabalhar com times multidisciplinares de alta performance não é fácil, mas se aprendemos uma lição do quarto painel da Digital Product Week, apresentado pelo Joaquim Neto, é que “você aprende muito mais se deixar de olhar só para os dados e olhar também para as pessoas”.

Joaquim Neto, ou simplesmente Joca, que é Chief Product Officer na CargoX, foi chamado para compartilhar sua experiência na liderança de equipes de produto e design dentro da CargoX.

Para que não conhece, a CargoX cria soluções para conectar os caminhoneiros autônomos do Brasil por meio de plataformas, otimizando o ecossistema de logística e reduzindo o número de veículos que circulam com capacidade ociosa. Em outras palavras, é “a Uber dos caminhões”, como é conhecida a empresa.

A tônica da conversa não poderia ter sido outra: pessoas.

“É fundamental pensar em como organizar as pessoas ao redor dos dados para que elas possam tomar decisões melhores. Temos certeza de que são as pessoas que fazem os produtos acontecerem”.

O conceito de squad

Ao longo da conversa, Joca falou muito nos squads (ah, os polêmicos squads) que compõem a estrutura da CargoX. Mas o que é isso? De acordo com ele, são equipes multidisciplinares que têm o objetivo de resolver desafios específicos de um produto ou operação. “São compostos por pessoas com diferentes especialidades, que colaboram entre si para garantir o sucesso do objetivo,” completou.

Em outras palavras, são times de alta performance. E, como tais, “estão sempre em construção, o que deve ser prioridade em qualquer companhia,” afirmou o CPO da CargoX.

Como se dá essa construção? No caso da CargoX, por meio de uma jornada bem estruturada, com as seguintes etapas:

Entrevista

Aqui você deve testar a capacidade de solução de problemas de seus candidatos. Busque pessoas com experiências distintas. Joca lembra que Soft Skills, em muitos casos, são mais importantes que Hard Skills.

Onboarding

Essa etapa é fundamental. De acordo com Joca, é preciso dedicar o seu tempo e o da sua equipe para receber o novo membro do time. Preparar um onboarding detalhado poupará muito tempo nas semanas seguintes.

Mas e se a empresa estiver crescendo muito rapidamente e não der tempo de preparar o onboarding? “Tem que dar tempo,” explica o CPO. “Porque é injusto colocar um novo colaborador no meio da fogueira sem que ele saiba quais as metas, quais os objetivos precisa atingir”.

Metas

Por falar em metas: no onboarding (e ao longo da gestão), garanta que elas estejam claras. Assegure-se de que quem chega saiba exatamente o que precisa fazer.

Comunicação

É preciso ser claro na comunicação; se for necessário, envolva mais pessoas do time para garantir que a mensagem correta tenha sido recebida. De acordo com Joca, é um dos pontos mais desafiadores da jornada. “Na CargoX, temos cerimônias (eventos periódicos como reuniões entre os squads) para reduzir os ruídos de comunicação. Também criamos o espaço físico do escritório para favorecer a comunicação. Nosso escritório é aberto e favorece a reunião das pessoas”.

Outra lição: os líderes têm que tomar a frente e precisam ser empáticos. “Eles precisam trazer as informações corretas para o squad, precisam conversar, entender o outro lado da moeda: a pessoa que está escutando não tem ideia do todo, é preciso estar aberto e discutir com o time para onde ir,” explicou Joca.

Feedback

Mais um aspecto fundamental. A empresa precisa construir uma cultura de feedbacks. “Adotar uma uma rotina constante nesse sentido é determinante para a evolução dos squads,” contou Joca. Seja mensalmente ou a cada dois meses, precisamos devolver o que as pessoas investem na empresa. “E também precisamos estar abertos a escutar,” lembrou ele.

Na apresentação, ele compartilhou uma lista de dicas preciosas para esse momento:

  • Seja cuidadoso ao escolher hora e local do feedback;
  • Certifique-se que apenas vocês escutem a conversa;
  • Sempre demonstre respeito e ética com a outra pessoa;
  • Dedique tempo suficiente para expor as ideias e esclarecer perguntas;
  • Tenha clareza dos objetivos e atenha-se à mensagem principal;
  • Cite exemplos e situações reais para ilustrar cada ponto abordado;
  • Fale sobre os pontos fracos, sobre os pontos fortes e também sobre as realizações;
  • Atenha-se aos problemas, não torne o feedback algo pessoal;
  • Lembre-se, nem sempre as pessoas estão preparadas para receber um feedback.

Qualificação

Essa é a essência da “construção contínua” de que fala o CPO da CargoX fala. Investir no treinamento e no desenvolvimento da equipe, incentivá-lo a testar coisas novas e trazer temas novos para serem discutidos.

Isso tem a ver, também, com a autonomia “As pessoas com quem você trabalha precisam ser munidas de ferramentas e conhecimento para que possam decidir por si próprias,” afirmou Joca. Isso contribui até para a comunicação, pois reduz o “barulho”, os ruídos na troca de informações.

Avaliação

É o momento de se perguntar se essas pessoas são as pessoas certas para aquele projeto. Assim, mantenha um processo claro de avaliação de desempenho. Busque manter as melhores pessoas no seu time. Valorize aquelas pessoas que estão se dedicando mais e tente reverter a performance daquelas que não estão.

Como organizar os squads?

A seguir, Joca compartilhou aprendizados sobre a construção dos times que gerencia. “Nós criamos squads focados nas soluções de problemas de cada um de nossos clientes: caminhoneiro, embarcador e família do caminhoneiro, por exemplo. Ao construir as equipes, tenho que pensar nessas personas”. Assim, os squads da CargoX são compostos, basicamente, por product managers, analistas de produtos, product designer, engenheiros e analistas de qualidade.

De acordo com ele, os engenheiros têm que estar bem perto dos usuários para entender do dia a dia. “O 3G do caminhoneiro não está funcionando bem em uma certa região; como vou resolver? Como vou me comunicar com ele? O squad precisa trazer soluções para isso”.

Na CargoX, os squads também colaboram entre si, produzem soluções um para o outro. Criamos padrões de desenvolvimento, mas também de design. Como se dá essa sinergia? “Priorizamos um roadmap com visão de produto,” contou Joca. “Tenho um squad cuidando de todas as soluções que envolvem o caminhoneiro, e outro que cuida das soluções para o embarcador; cada squad tem o seu roadmap e todos temos o roadmap da empresa”.

Em relação aos squads, o CPO destacou dois pontos:

Velocidade

Buscamos reduzir o coeficiente entre engenheiros, designers e produto “para conseguirmos atacar mais problemas”. O objetivo é validar um produto o quanto antes com os usuários, de modo a criar um roadmap mais longo, o que permite antecipar os problemas que possam surgir pelo caminho.

“Mais squads com menos pessoas trabalhando em coisas diferentes fazem mais sentido,” revelou Joca. “Se temos mais resultados, a chance de acertarmos é muito maior. Por isso dividimos os times”.

Comunicação

Novamente ela. Manter uma relação saudável entre os membros do squad é fundamental para o sucesso de qualquer projeto. “Na CargoX, sempre tentamos falar muito abertamente. Botar os problemas na mesa, entender que a pessoa do outro lado também está tentando resolver. Como você se coloca no lugar dela? Isso é super importante”.

E quanto aos outros modelos de equipe?

Pois é, nem só de squads vive a CargoX. O CPO da empresa mencionou outros modelos adotados na organização:

Equipes autogerenciáveis:

são formadas por profissionais mais sêniores, que têm um alinhamento muito mais rápido entre si. Esse modelo é utilizado quando é necessário resolver um problema grave em um prazo curto. Como exemplo, Joca citou o aplicativo que a CargoX teve que desenvolver para uma operadora de telefonia em três meses.

Equipes remotas:

outro modelo que a CargoX utiliza, uma vez que a empresa atua em todo o Brasil e fora do país. A gestão, de acordo com Joca, traz desafios: “não basta criar um canal de slack. Algumas cerimônias são necessárias para alinhar”.

Por exemplo: quando os fusos horários dos componentes da equipe são diferentes, gerencia-se os resultados. Como se mede isso? “Pelo tempo de entrega de uma feature e pela aquisição de usuários,” explicou Joca. “Verificamos também a qualidade da entrega, além de analisar observamos como a pessoa se comporta com o resto do time, nos detalhes. Isso tudo compõe o processo de avaliação de equipes remotas”.

Para ajudar nessa gestão, Joca mencionou algumas práticas e ferramentas:

  • Daily meetings
  • Sprints semanais
  • Slack
  • Basecamp

Dicas para toda a vida

Caminhando para uma conclusão, o CPO da CargoX deixou aprendizados super importantes: “nunca pare de entrevistar as pessoas, mesmo que você não tenha uma vaga aberta. Vá construindo uma lista de contatos. Um dia, você pode querer trabalhar com a pessoa e ela estará no seu radar”.

A seguir, Joca compartilhou uma frase de Nilan Peiris, VP do Transferwise, que sintetiza seu pensamento: “Cada indivíduo em sua organização influencia de alguma forma a experiência do cliente. Portanto, a experiência que seus clientes tem é um produto direto das pessoas que você contratou e das decisões tomadas por elas”.

E complementou: “preste atenção em cada uma das pessoas que estão à sua volta. Ganhamos muito com isso. Carrego comigo todas as pessoas que trabalharam comigo. Pensem, acreditem nas pessoas. Os dados levam a gente para algum lugar, mas são as pessoas que vão fazer com que isso aconteça.”

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O que podemos aprender com a maneira como a CargoX organiza seus times de tecnologia

by Kaique Paes tempo de leitura: 7 min
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