6 Motivos Porque as Startups Fracassam

E o que UX Design e Product Management tem a ver com isso

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Com as infinitas oportunidades do meio digital e o contexto do mercado brasileiro, cada vez mais pessoas correm atrás dos seus sonhos, e empreender é um dos mais comuns. Mas, por existir uma variedade de novas empresas sendo abertas todos os anos, é necessário que o novo produto digital forme uma identidade concisa, não apenas visualmente, mas também em todas suas etapas. Em uma frase, os produtos digitais, hoje, precisam proporcionar uma experiência incrível para o usuário, ou estarão fadados ao fracasso.

Segundo dados do Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação (IBPT), 15,4% das startups fecham já no primeiro ano de vida. E, entre o primeiro e o quinto ano, esse número sobe para 41,9%.

Os números podem assustar, mas comparados com muitas referências internacionais, as taxas de sobrevivência são animadoras. O índice nacional já é melhor que o de países como Canadá, Áustria, Itália e Portugal.

A CBInsights, líder global em dados sobre startups , tecnologia e venture capital, estudou a fundo mais de 100 post-mortems de startups reais eacaba de lançar uma pesquisa que elenca os 20 principais motivos por que elasfecharam as portas.

Quando a gente leu esse report, algumas coisas ficaram claras: apesar de serem áreas de atuação ainda muito recentes, é cada vez mais evidente que UX Design e Product Management são vitais para a tração e escala de produtos digitais. São duas funções com influência direta no ecossistema das startup e empresas de tecnologia, no direcionamento da estratégia do produto, do fit com o mercado e com o consumidor e, no final das contas, nas finanças e no bottom-line do negócio.

Afinal, empresas existem para resolver problemas reais de pessoas reais, e nenhum produto sobrevive resolvendo um “não-problema”. Entender e estudar o usuário, desenhar sua jornada, prototipar e estar em constante evolução e iteração, de forma enxuta, e adequando os recursos à medida que se faz novas descobertas, são habilidades fundamentais para a sobrevivência na economia digital.

imagem de gráfico mostrando em porcentagem o motivo pelo qual as startups falham

Abaixo separamos 6 dos principais motivos de fracasso apontados na pesquisa, e que tem tudo a ver com as profissões de UX Designer e Product Manager.

Produto não amigável para o usuário

O fato de uma empresa ignorar as opiniões de um usuário pode dizer muito sobre o futuro das suas atividades. Quando você simplesmente finge que eles não existem e deixa de se importar com o que desejam ou precisam, conscientemente ou não, está automaticamente decretando o final da sua empresa. Não dar a devida importância ao trabalho de UX Designer foi o motivo que levou 17% das startups a fecharem suas portas.

Foi o caso da GameLayer que escreveu sobre isso na UI do seu próprio produto:

“Em última análise, acredito que a PMOG não tenha tido muita preocupação no jogo principal para conseguir conduzir a adoção entusiasta em massa. O conceito de ‘deixar um rastro de anotações divertidas na web’ era de difícil compreensão para a maioria das pessoas. Olhando para trás, acredito que precisávamos limpar os decks, engolir nosso orgulho e fazer algo com que fosse mais fácil se divertir, nos primeiros momentos de interação.”

Produto lançado sem plano de negócios

Ter um plano de negócios significa mapear uma empresa do zero, tirar uma empresa do mundo das ideias e colocar no plano físico. Não ter esse modelo geralmente acarreta em não encontrar formas de ganhar dinheiro em escala, o que pode resultar em fundadores incapazes de capitalizar qualquer tração adquirida. E, na pesquisa, 17% das startups fecham suas portas por esse descuido.

Esse foi um dos motivos apresentados no port-mortem da Tutorspree, um ecommercede tutores do mais diversos assuntos:

“Embora tivéssemos conseguido muito com a Tutorspree, não conseguimos criar um negócio escalável […] A Tutorspree não tinha escala porque éramos dependentes de um único canal de aquisição e esse canal nos derrubou radicalmente e de repente. Fomos criados nos moldes do SEO desde o início, e ele se tornou cada vez mais importante para o negócio à medida que crescemos e evoluímos. Em nossos primeiros dias, e durante o Y Combinator, não tínhamos dinheiro para gastar na aquisição. O SEO era gratuito, então nos concentramos nele e esse foi o resultado.”

Nenhuma necessidade do mercado

Empreendedores de primeira viagem geralmente cometem o erro de acreditar demais no próprio produto, o otimismo faz parte do DNA empreendedor. Esse equívoco levou 42% das startups estudadas a fecharem suas portas.

Abordar problemas que podem ser decorrentes da atividade é interessante, o ideal é levar sua ideia para o mercado, validar através de pesquisas direto com o público alvo para entender se o produto ou serviço que você oferece justifica a criação de um novo negócio.

Como escreveu o Patiente Communicator no seu post-mortem:

“Eu percebi, essencialmente, que não tínhamos clientes porque ninguém estava realmente interessado no modelo que estávamos lançando. Os médicos querem mais pacientes e não um escritório eficiente.”

E esse problema é também apresentado pela TreeHouse Logic em seu post-mortem:

“As startups falham quando não estão resolvendo um problema de mercado. Não estávamos resolvendo um problema suficientemente grande que poderíamos servir universalmente como uma solução escalável. Tivemos uma excelente tecnologia, excelentes dados sobre o comportamento de compras, grande reputação como líder no negócio, excelentes experiências, excelentes conselheiros, etc., mas o que não tínhamos era tecnologia ou um modelo de negócio que resolveu a dor de alguém de forma escalável.”

Ignorar os clientes

Quando não inserimos o trabalho de UX Designers no nosso plano de produtos digitais corremos o risco de não nos preocuparmos o suficiente com o cliente e usuário final do nosso produto, o que levou 14% das startups a fecharem suas portas.

Esse erro fatal apresentado por David Cummings no post-mortem da eCrowds, empresa de gerenciamento de conteúdo na web:

“Nós passamos muito tempo construindo tudo isso para nós mesmos e não recebendo feedback – é fácil ter uma visão de cabresto. Eu recomendaria não esperar mais de dois ou três meses após o início para colocar o produto ou protótipo nas mãos de potenciais clientes, pois eles serão muito mais objetivos”

A mesma coisa aconteceu com a VoterTide antes de sua venda, empresa de análise de mídias sociais:

“Nós não passamos tempo suficiente falando com os clientes e lançamos recursos que achávamos que eram ótimos, mas não colhemos a contribuição do cliente de maneira suficiente. Nós não percebemos isso até que fosse tarde demais. É fácil ser enganado ao pensar que o seu problema é legal. Você deve prestar atenção aos seus clientes e se adaptar às suas necessidades.”

 

Timing de mercado

Entender perfeitamente o timing do mercado é necessidade vital para o funcionamento de um produto digital, lançar o produto cedo demais ou tarde demais pode afetar a compreensão do usuário.

Liberar um produto imaturo no mercado pode causar primeiras impressões equivocadas e o trabalho para corrigi-las pode ser maior do que o necessário. Por outro lado, lançar um produto tarde demais pode fazer você perder uma janela muito importante e até invalidar uma oportunidade de mercado.

Foi o que aconteceu com a Calxeda, startup de tecnologia mobile de data centers que escreveu em seu post-mortem:

“No caso da Calxeda, nos movemos mais rápido do que nossos clientes puderam acompanhar. Nós mudamos junto com a tecnologia vigente e eles não estavam devidamente preparados para isso – ou seja, com 32 bits quando eles queriam 64 bits. Nós mudamos quando o ambiente do sistema operacional ainda estava sendo desenvolvido.”

 

Escolha errada da praça

Saber onde e quando estar com seu negócio pode definir toda a história da sua empresa, quando o assunto é fracasso,não aplicar esse conceito resultou no encerramento de 9% das pesquisadas.

É preciso primeiro entender a coerência do seu negócio com o local correto para atuação, pensar em como ele se encontra no momento e como ele irá crescer nos próximo passos. Uma expansão geográfica tem que fazer sentido.

Esse foi o problema apresentado no post-mortemda Meetro, uma plataforma de conversas instantâneas fundada por Paul Bragiel. A falta de planejamento de expansão geográfica foi uma das causas para o encerramento, como podemos ver nesse trecho do depoimento:

“Nós lançamos nossos produtos e conseguimos alcançar todos nossos amigos em Chicago. Em seguida, conseguimos que os maiores jornais da região fizessem bons comentários e reviews sobre nós. As coisas estava indo bem […] O problema foi descobrir que ter centenas de usuários ativos em Chicago não significa que você vai ter nem dois usuários ativos em Miwaukee, a menos de cem quilômetros de distância, para não mencionar nenhum em Nova Iorque ou São Francisco. O software e o conceito simplesmente não se estenderam além das fronteiras físicas.”

Precificação

Saber precificar é complexo e avançado, e pode garantir o sucesso ou o fracasso de uma empresa. O fim de uma empresa pode vir da dificuldade de criar um produto caro o suficiente para cobrir eventuais custos, e barato o suficiente para conquistar e cativar clientes.

Para resolver esse dilema, o ideal é manter o foco na pesquisa, compreender quanto o seu cliente está disposto a gastar pelo seu produto.

Delight IO escreveu no seu post-mortem:

“Nosso plano mensal mais caro era de US $300. Os clientes que abandonavam o produto nunca se queixaram dos preços. Nós simplesmente não atendíamos suas expectativas. O preço original foi avaliado pelo número de créditos de gravação. Como nossos clientes não tinham controle sobre o uso das gravações, a maioria deles era muito cautelosa ao usar os créditos. Os planos baseados na duração acumulada das gravações fazem muito mais sentido para nós e o número de inscrições mostrou esse resultado.”

Perder o foco

Saber o que é importante e o que não é pode ser determinante para a saúde do seu negócio. Desviar demais sua atenção para problemas pequenos pode tomar muito mais do que o necessário do seu tempo. 13% das startups estudadas fechou suas portas por esse motivo.

Não saber suas prioridades acaba afastando a atenção dos envolvidos para problemas pequenos, projetos de distração e questões pessoais.

Foi o caso da MyFavorites, que escreveu em seu post-mortem:

“Em última análise, quando voltamos da SXSW, todos começamos a perder o interesse, a equipe estava se perguntando onde isso acabaria e eu queria saber se realmente queria executar uma startup, ter a responsabilidade dos funcionários e responder a um conselho de investidores.”

A boa notícia é que muitos desses erros são evitáveis com as competências e habilidades certas no seu time e no seu currículo. Para entender como ouvir melhor o cliente e criar produtos amigáveis aos usuários, vale a pena conhecer o bootcamp em User Experience Design da Tera. Mas se o seu desafio está na gestão do produto, visão de negócios, market fit e tecnologia, confira o programa completo do bootcamp em Digital Product Leadership. Nesses programas, você aprende trabalhadno em projetos reais e com experts do mercado que já estiveram no seu lugar, de empresas como Nubank, Easyinvest, VivaReal e Facebook.

6 Motivos Porque as Startups Fracassam

by Kaique Paes tempo de leitura: 8 min
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